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O que é spread bancário e como funciona?

Tempo de leitura: 16'

Quando se fala sobre o mercado financeiro e as taxas e juros cobrados pelos bancos, é comum que o chamado spread bancário esteja na pauta. Afinal, essa é uma das formas pelas quais as instituições financeiras ganham dinheiro. 

Nos últimos anos, o spread bancário tem gerado algumas discussões entre os profissionais do mercado, devido ao percentual elevado que é praticado no país. Isso faz com que o acesso ao crédito seja dificultado para grande parte das pessoas e também das empresas.

Neste artigo, vamos esclarecer o que é spread bancário, como ele funciona e como está a sua situação no Brasil.

 Acompanhe!

O que é spread bancário?

De forma simplificada, podemos dizer que o spread é a diferença entre o valor que um banco remunera a quem aplica o próprio dinheiro nele e o valor que ele cobra para emprestar esse dinheiro a outros clientes. 

Ou seja, spread bancário é o valor resultante da diferença entre as operações de “compra e venda” de dinheiro realizadas pela instituição financeira. Isso acontece porque os bancos tratam o dinheiro como uma espécie de mercadoria, pela qual os juros são o preço a se pagar nas transações. 

Fica mais fácil de entender o papel do spread bancário quando trazemos um exemplo mais rotineiro: imagine que uma loja de sapatos compre um lote de 50 produtos de um fornecedor pelo valor de R$5.000,00, sendo que cada calçado tem um valor unitário de R$100,00.

Se o dono dessa loja fosse vender cada par de sapatos pelos mesmos R$100,00 que pagou, não obteria lucro, já que estaria recebendo o exato valor que pagou para o seu fornecedor.

Para que a loja consiga lucrar com as vendas e se manter funcionando, é preciso vender os calçados por um preço maior do que foram adquiridos. Afinal, é preciso levar em consideração, além do lucro do proprietário, os custos com aluguel, impostos, eletricidade, salários dos funcionários, entre outros. 

Isso também acontece com os bancos. Toda vez que um cliente, seja pessoa física ou jurídica, faz alguma aplicação bancária, como poupança ou títulos de renda fixa, ele é remunerado pela instituição a uma taxa de juros, conhecida como taxa de captação

Esse dinheiro aplicado pelos correntistas será usado pelos bancos para fazer empréstimos a outros clientes ou alocar esse valor em investimentos com maior rentabilidade. Porém, os juros que as instituições pagam aos depósitos em poupança ou renda fixa são sempre menores do que as taxas cobradas nos empréstimos. Essa diferença de valores é o spread bancário.

Como calcular o spread bancário?

Imagem de uma moça sentada à mesa, com uma calculadora e documentos, calculando o spread bancário

Veja como as formas de calcular o spread bancário

Agora que você já sabe o que é spread bancário, é importante entender como fazer a conta para encontrar esse valor. Existem duas maneiras utilizadas para calcular o spread bancário: o método da adição e o da multiplicação. 

Confira as diferenças:

Adição

Nesse método, deve-se fazer um cálculo simples para descobrir a diferença entre as taxas de captação e as taxas de empréstimo cobradas pelo banco. 

Por exemplo: 

  • Imagine que um banco paga uma taxa de captação de 5% ao ano a um cliente que fez um investimento;
  • Esse mesmo banco faz um empréstimo a outro cliente cobrando juros anuais de 15%;
  • O spread bancário será = taxa de empréstimo – taxa de captação. Logo, 15% – 5% = 10% de spread. 

Multiplicação 

A segunda forma de cálculo é a multiplicação, método mais comum usado no mercado financeiro brasileiro, já que proporciona resultados mais exatos. 

Nesse caso, a conta leva em consideração as taxas de captação e repasse, e adota-se um percentual de desvalorização entre elas para se conhecer o spread real.  

A fórmula utilizada é a seguinte:

 

Usando como base os mesmos valores do exemplo anterior (taxa de captação = 5% e taxa de repasse = 15%), teremos:

Ou seja, neste caso o resultado do spread bancário seria de 9,52%.

Composição do spread bancário

Para entender melhor como funciona o spread bancário, é preciso saber quais são os itens que o compõe, já que eles são levados em consideração na hora de definir as taxas. 

Veja quais são:

  • Custo Administrativo: são os gastos que envolvem o funcionamento dos bancos, mas que não estão diretamente ligados à atividade que ele desenvolve. Alguns exemplos são conta telefônica, publicidade, recepção, limpeza, departamentos executivo e jurídico, entre outros.
  • Inadimplência: tem a ver com os riscos de não receber que o banco assume quando faz empréstimos aos clientes. Dessa forma, a possibilidade de inadimplência também integra o spread bancário;
  • Impostos: ao realizar empréstimos, as instituições financeiras precisam pagar dois impostos diretos, o CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e o IR (Imposto de Renda), os quais são computados no spread;
  • Compulsórios: sempre que captam recursos financeiros, os bancos são obrigados a manter uma parte dos valores no próprio Banco Central, por meio de um depósito compulsório. Além disso, uma parte dos recursos deve ser direcionada para o FGC (Fundo Garantidor de Crédito); 
  • Margem de lucro: é a margem de lucro líquido da instituição, o percentual do spread bancário que será direcionado aos proprietários e acionistas do banco.

Vale observar que os custos de captação do banco não fazem parte dos elementos que compõem o spread bancário. Isso acontece porque eles são descontados no próprio cálculo do spread. Porém, se os custos de captação caírem, o spread tende a sofrer uma queda também. 

De acordo com o mais recente relatório divulgado pelo Banco Central, foi mostrado que o spread bancário é composto da seguinte maneira:

  • Inadimplência: 55,7%;
  • Lucros e outros: 23,3%;
  • Impostos diretos (CSLL e IR): 15,6%;
  • Custo administrativo: 3,8%
  • Compulsórios + Encargos fiscais e FGC: 1,7%.

Spread bancário no Brasil

Entenda como está o cenário brasileiro no quesito do spread bancário

O spread bancário brasileiro é de aproximadamente 40% e está entre os mais altos do mundo, atrás apenas de Madagascar. Em países como França e Alemanha, o spread gira em torno de 5%. No Canadá, ele é de 2,6% e, no Chile, de apenas 1,7%.

Isso quer dizer que o acesso ao crédito nesses países é mais facilitado do que acontece no Brasil, em que se pagam taxas de juros bastante elevadas por empréstimos e parcelamentos. 

Quando analisamos a composição do spread no Brasil, é possível entender porque esse valor é tão alto no país. O primeiro fator que pesa nessa conta é a reserva contra a inadimplência feita pelos bancos. 

De acordo com o Banco Mundial, as instituições financeiras brasileiras recuperam somente US$0,13 de cada US$1 emprestados aos clientes, mesmo considerando a execução de dívidas. Em termos de comparação, a média mundial de recuperação é de US$0,34 para cada US$1. 

Outra causa do spread bancário elevado no país é a alta margem de lucro dos bancos, que representa quase 24% da sua composição. 

Isso acontece porque o mercado bancário brasileiro ainda tem baixa concorrência, sendo que as instituições financeiras do país costumam operar em um regime quase oligopólico. Por isso, conseguem praticar spreads maiores sem problemas. 

A boa notícia é que essa realidade tende a mudar nos próximos anos. Com o crescimento dos bancos digitais, o mercado financeiro deve se tornar mais competitivo. Atualmente, um em cada quatro brasileiros já são clientes de bancos digitais e fintechs

Em geral, esses consumidores estão em busca de serviços mais ágeis e taxas menores, o que pode contribuir para que, aos poucos, o spread bancário no Brasil deixe de ser tão elevado e pesar tanto nas operações de crédito. 

Agora que você já sabe o que é spread bancário, que saber entender um pouco mais sobre o mercado financeiro no Brasil e as possibilidades dos bancos digitais? O blog da Dock tem alguns conteúdos incríveis sobre o assunto!

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