Como funciona DOC e como essa transferência é efetuada?

Publicado em 6 de outubro de 2020.

Tempo de leitura 9 minutos de leitura

De acordo com dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2020, apenas durante o ano de 2019, mais de 89,9 bilhões de transações bancárias foram realizadas no Brasil. Com o avanço das tecnologias digitais, fazer operações de transferências de valores têm ficado cada vez mais fácil.

No entanto, ainda que elas estejam presentes de forma corriqueira na vida de grande parte dos brasileiros, muitos ainda não sabe quais as diferenças entre os tipos de transferências.

Neste artigo, vamos explicar o que é e como funciona uma DOC, além de mostrar as principais distinções entre ela e a TED, o outro tipo de transferência mais comumente utilizado hoje em dia. 

Leia até o final para ficar por dentro do assunto!

 

O que é DOC?

O termo DOC é uma sigla para Documento de Ordem de Crédito, um tipo de transferência bancária que possibilita aos clientes de um determinado banco enviarem valores para contas de outra instituição.  

Não existe valor mínimo para esse operação, mas o limite máximo que pode ser enviado é de R$4.999,99. Para quantias acima disso, é preciso realizar outro tipo de transferência. 

A DOC pode ser feita diretamente no caixa eletrônico, no caixa interno de centrais de atendimento e agências bancárias, via internet banking, ou ainda pelo aplicativo de smartphone da instituição

É importante observar que as transferências feitas via DOC não são compensadas na conta do destinatário no mesmo dia em que foram efetuadas. O valor cai na conta apenas no dia útil seguinte à transferência e, em caso de operações realizadas após às 22h, a compensação pode levar até dois dias úteis. 

Contudo, o débito do valor transferido na conta do emitente ocorre de forma imediata, logo após a transação ser confirmada pelo banco. Assim, se houver urgência para o recebimento do dinheiro, é preferível fazer outro tipo de transferência. 

O que é CIP?

A sigla CIP se refere à Câmara Interbancária de Pagamentos, instituição responsável por controlar as transações financeiras realizadas no comércio eletrônico brasileiro

Ela foi criada no ano de 2001 como uma sociedade civil sem fins lucrativos, que opera o Sistema de Transferência de Fundos (SITRAF), o qual efetua a compensação e liquidação de transferências bancárias.

Somente em 2018, a CIP foi diretamente responsável pelo processamento de mais de 11 bilhões de operações financeiras, 1,6 bilhão de pagamentos com cartão para estabelecimentos comerciais, e mais de 600 milhões de operações bancárias eletrônicas.

Estima-se que, diariamente, sejam feitas mais de sete milhões de transações com cartão de crédito apenas no Brasil. 

A Câmara Interbancária de Pagamentos é parte integrante do Sistema Brasileiro de Pagamento, e está ligada ao Banco Central do Brasil. Entre suas principais atividades, podemos citar a base de transações de boletos, a gestão das operações de pagamento por cartões de crédito e débito, o registro de contratos de crédito.

A CIP também tem atuação nas transferências eletrônicas de fundos, financiamentos, e gestão e controle de folhas de pagamento.

O que é SBP?

O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é uma espécie de arranjo constituído por diversas entidades diferentes ligadas ao Banco Central (BACEN). Essa estrutura é o que torna possível a realização de movimentações financeiras no país.

As instituições que garantem o processamento das diversas operações no Brasil são chamadas de Infraestruturas do Mercado Financeiro (IMF), e compõem a Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN). Todas elas estão interconectadas e não têm hierarquia entre si.

A função primordial do SPB é possibilitar a transferência de valores, seja em reais ou em moedas estrangeiras, garantindo que essas movimentações sejam feitas de maneira transparente e segura.

Assim, todas as transações financeiras feitas no Brasil são reguladas pelo SPB, como transferências bancárias (como DOC), compras por cartão de crédito, pagamento de boletos, compensação de cheques, entre outras.

As principais entidades que integram a estrutura do SPB são:

  • Instituições Financeiras (organizações que mediam clientes e serviços financeiros);
  • Central de Custódia e Liquidação de Títulos Privados (CETIP), 
  • Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC);
  • Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC);
  • Câmara intercambiaria de Pagamentos;
  • Câmara de Registro e Liquidação de Operações de Ativos BM&F;
  • Câmara de Registro e Liquidação de Operações de Câmbio BM&F;
  • Câmara de Registro e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F.

Como funciona uma DOC?

Agora que você já sabe o que é DOC, fica mais fácil entender como esse tipo de operação funciona na prática. 

Basicamente, fazer uma DOC é enviar o dinheiro de uma conta bancária para outra, sem que haja a necessidade de realizar saques, depósitos ou pagar boletos. Nessa transferência, o valor sai de uma conta A e cai em uma conta B de forma automática. 

Porém, para isso acontecer, é preciso que o cliente do banco que pretende fazer a transação cumpra uma série de passos. Em primeiro lugar, é preciso se dirigir a uma agência bancária, caixa eletrônico ou iniciar uma sessão via internet banking ou app. 

Ao escolher no menu principal a opção de fazer uma DOC, o usuário terá que informar alguns de dados para concretizar a transação:

  • Código do banco que receberá o valor (número de identificação da instituição financeira definido pelo Banco Central);
  • Agência e conta corrente do destinatário;
  • Nome completo do destinatário (ou Razão Social, no caso de Pessoa Jurídica);
  • CPF ou CNPJ do destinatário;
  • Valor exato a ser transferido.

É essencial que, ao preencher essas informações, o cliente preste bastante atenção para que todos os dados estejam corretos. Isso porque, caso exista alguma divergência, a transação não é autorizada e o dinheiro não é transferido para a conta de destino.

Além disso, a DOC não é uma operação passível de estorno, ou seja, não é possível solicitar um reembolso ao banco em caso de valores enviados a mais do que o pretendido. 

Quando o cliente conclui a operação de DOC, o banco começa a fazer o processamento da transação, debitando o valor da conta de origem e enviando o dinheiro transferido para a instituição e a conta de destino. 

Para transferências feitas até às 17h, a quantia é disponibilizada na conta do destinatário já no próximo dia útil. Se esse limite for ultrapassado, pode ser preciso esperar mais um dia útil para que a transação seja completada. 

Diferenças entre uma TED e uma DOC

Além da DOC, a outra principal modalidade de transferência bancária disponível no Brasil atualmente é a TED, ou Transferência Eletrônica Disponível.

Embora também seja utilizada para o envio de valores entre contas bancárias de instituições diferentes, a TED apresenta algumas distinções em relação à DOC. 

Quando o dinheiro cai na conta

A principal diferença entre TED e DOC é o tempo que cada uma leva para que o dinheiro transferido seja compensado em sua conta de destino. 

Como já explicamos no tópico anterior, no caso da DOC esse prazo costuma ser de um a dois dias úteis, a depender do horário em que a solicitação é efetuada pelo cliente.

Já a TED é bem mais rápida. Em transferências feitas antes das 17h em dias úteis, o valor cai na conta do beneficiário em pouco tempo após a autorização do banco, levando entre 15 e 90 minutos, no máximo. 

Porém, se o agendamento for feito após esse horário, o dinheiro só será compensado na conta de destino no dia seguinte.

Valor da transferência

Outra diferença importante tem a ver com o limite de valor que pode ser enviado via TED e DOC. Como já explicamos, a DOC tem um limite de R$4.999,99 para as transferências.

Já no caso da TED, essa limitação de valores não existe, sendo possível transferir qualquer quantia, inclusive acima de R$5.000,00. Até 2016, havia um valor mínimo para essa transação, o qual também não existe mais.  

Taxas para transferência

As tarifas cobradas pelos bancos para realizar as transferências não são tabeladas e, portanto, variam de acordo com cada instituição e com o tipo de conta do cliente. 

Alguns bancos oferecem pacotes de taxa mensal com um determinado número de TEDs ou DOCs inclusos por mês, ou até mesmo transferências ilimitadas. Por essa razão, é importante conferir se você tem essas transações incluídas no seu tipo de conta. 

Para saber o valor exato cobrado pela sua instituição bancária, é possível verificar no site do Banco Central ou junto ao atendimento do próprio banco. Em geral, as operações de TED e DOC têm valores parecidos, que giram em torno de R$10,00 até R$30,00.

Para quem quer economizar, vale dar preferência às transferências feitas pelo internet banking ou nos caixas eletrônicos. Essas transações costumam ser mais baratas do que as realizadas em um caixa presencial da agência bancária.

 

DOC em bancos digitais

As tarifas cobradas pelas transferências DOC podem pesar bastante no bolso dos consumidores que precisam enviar dinheiro para outras contas. No entanto, hoje em dia já existe alternativa para não precisar lidar com o pagamento dessas taxas.

As fintechs, empresas tecnológicas que têm revolucionado o mercado financeiro, já realizam essas operações sem cobrar nada dos clientes. Quem tem uma conta digital em uma dessas instituições geralmente não precisa pagar para realizar transferências DOC

Toda a transação é feita diretamente pelo site ou aplicativo da instituição, frequentemente de forma ilimitada, e sem a necessidade de arcar com taxas pelo uso desse serviço. 

Isso é possível porque as fintechs fazem um uso intensivo da tecnologia, através de APIs, eliminando a necessidade de atuar com agências físicas e gerentes de conta, o que diminuiu consideravelmente as tarifas cobradas dos clientes.

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