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Febraban Tech 2022: 6 temas que foram destaque no maior evento do setor financeiro na América Latina

Publicado em 29 de agosto de 2022.

Tempo de leitura 12 minutos de leitura

Durante o Febraban Tech 2022, principal evento de tecnologia e inovação do setor financeiro da América Latina, grandes players do setor, fintechs e especialistas em finanças se debruçaram sobre quais inovações devem mover a indústria, que nunca viveu um cenário de transformação mais acelerado que o atual.

O amadurecimento de evoluções como Open Finance, pagamentos instantâneos, embedded finance e dos modelos “as a service” são alguns dos fatores que fomentam um quadro no qual o poder está, literalmente, nas mãos dos usuários. Na era da digitalização e da personalização, o setor financeiro inova como nunca e as empresas buscam resolver desafios para entregar soluções que agreguem cada vez mais valor aos clientes.

E nós estivemos lá, conferindo tudo de perto neste grande reencontro presencial do setor após o abrandamento da pandemia. Para compartilhar um pouco do que foi debatido, neste artigo destacamos 6 macrotemas que foram recorrentes nos palcos do Febraban Tech 2022. Confira!

 

1. Crédito: a próxima onda da inclusão financeira

 

Se o consumidor mudou nas últimas décadas, estando cada vez mais orientado por seus valores, também os serviços financeiros precisam se transformar para atendê-lo. E, um pilar essencial para essa evolução é a oferta de crédito. Não qualquer crédito, aquele que é bom para o cliente.

Esse foi o foco da palestra “Novo paradigma de crédito para um consumidor consciente e digital”, apresentada pelo CEO da Dock, Antonio Soares, na Arena Inovação e Negócios.

Antonio fez uma retomada dos últimos anos do mercado financeiro e sobre a importância da entrada de novos players por meio do modelo de Banking as a Service (BaaS) no mercado, que sem dúvidas tiveram papel determinante para acelerar a bancarização no Brasil e também em outros países da América Latina.

Agora, segundo ele, o próximo passo é de colaboração em prol da oferta de melhores produtos e serviços para os clientes, especialmente em relação ao crédito, que tem potencial de contribuir para a recuperação das economias da região no pós-covid.

“O momento é de coopetição, de entender como bancos, fintechs e empresas podem unir o melhor de cada um para oferecer crédito na ponta, um crédito responsável que contribua para uma nova etapa da inclusão financeira.” 

Assista à palestra na íntegra:

 

2. 5G para impulsionar a inovação no setor financeiro

 

Outro tema abordado em painéis do Febraban Tech foi o 5G – a quinta geração da internet móvel – que começou a ser disponibilizado no Brasil em 2022 e tem papel fundamental para a inovação em diversos setores.

O 5G é um dos focos de investimento das instituições financeiras, bem como a nuvem e a inteligência artificial. Juntas, essas tecnologias são fundamentais para a implementação do Open Finance e “estão ficando mais acessíveis”, afirmou o Rodrigo Mulinari, diretor do Comitê de Inovação e Tecnologia da Febraban e diretor de Tecnologia do Banco do Brasil.

O executivo destacou que há três pilares que dão suporte aos investimentos em tecnologia nas instituições financeiras – o ambiente regulatório, o comportamento do cliente e o potencial de inovação proporcionado pela tríade 5G, IA e a nuvem.

Com um olhar mais preditivo, o painel “5G conecta pessoas, coisas e negócios” destacou que o 5G e a internet das coisas (IoT) possibilitarão a realização de transferências financeiras sem a necessidade de intervenção humana. Contudo, os pagamentos autônomos vão exigir novas camadas de segurança para garantir operações em tempo real e prevenir fraudes.

Em outro fórum, Vinícius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação na Anatel, comentou o caminho para a democratização do acesso à internet, outro desafio do 5G no Brasil. “Temos necessidade de ter novas políticas públicas e ainda agilizar a jornada do 5G.”

 

3. CBDC: parte essencial de um futuro com ativos tokenizados

 

As CBDCs (sigla para Central Bank Digital Currency) estão sendo adotadas em vários países ao redor do mundo para promover inclusão financeira, redução de custo nas transações e redução de fraudes. No Brasil, o projeto do Real Digital vem sendo estudado desde 2020 pelo Banco Central e pode ser implementado já em 2023.

Na visão de Fabio Araújo, coordenador dessa iniciativa no Banco Central do Brasil, haverá a oferta de novos serviços e o acesso a ativos tokenizados, tudo em um ambiente seguro e amigável para os usuários. A partir de uma infraestrutura robusta, o sistema financeiro tradicional será interconectado com serviços financeiros que estão sendo desenvolvidos na web3, como o blockchain.

No encerramento da Febraban Tech 2022, Roberto Campos Neto, presidente do BC, afirmou que a tokenização do sistema financeiro é a grande tendência para o setor e reforçou que o objetivo é integrar o Pix, Open Finance e CBDC.

Campos Neto disse que, no futuro, vê um app único para dinheiro físico e digital, no qual estarão disponíveis as soluções do Open Finance e de monetização de dados, além do Pix.

O presidente do BC afirmou, ainda, que entre os desafios da CDBC estão a oferta de custódia integrada e a permissão da incorporação de protocolos de DeFi. Mas o executivo foi otimista quanto ao processo: “Estamos entrando em uma evolução tecnológica muito interessante, onde começamos a juntar os pedaços.”

 

4. Investimentos robustos em tecnologia fomentam a cultura data driven

 

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, divulgada no evento, apresentou desafios e tendências para as instituições financeiras, considerando a transformação dos bancos em plataformas digitais de negócios.

Essa transição tem um preço: aproximadamente 18% do orçamento dos bancos brasileiros deve fluir para tecnologia em 2022 – mas frutos já vem sendo colhidos com os avanços do Open Finance e da capacidade de explorar dados, além da inteligência artificial (IA) e da cibersegurança.

Segundo Sergio Biagini, líder da indústria de Serviços Financeiros da Deloitte, na prática, já se observa que 80% do crédito é concedido por canal digital, além disso, a abertura de contas digitais já supera a abertura em pontos físicos.

Biagini destacou também que o desafio de promover mudanças culturais foi detectado pela pesquisa como uma das prioridades de 2022 – os bancos mapearam a necessidade de aprimorar a transmissão de valores e cultura para promover uma transformação digital mais efetiva. E, sem dúvidas, essa é uma cultura que deve ser orientada por dados.

No painel “Colocando algoritmos para trabalhar: o data driven na tomada de decisões escaláveis”, dados e cultura se encontraram: os painelistas abordaram o conceito de Data Fabric, que, resumidamente, é uma arquitetura que simplifica o acesso aos dados e permite às empresas usá-los de forma estratégica.

Marcela Vairo, diretora de Dados, IA Apps e Automação na IBM, comentou como a capacitação na leitura de dados via sandbox vem sendo importante para evitar os silos – um problema mais cultural do que tecnológico.

No mesmo painel, falou-se como a análise preditiva de dados potencializa a capacidade das instituições financeiras se comunicarem com os seus clientes e proporem soluções mais refinadas para enriquecer suas jornadas.

Assista ao painel:

 

5. Cidadania financeira: por um Brasil mais inclusivo também nas finanças

 

Segundo Marcelo Junqueira Angulo, chefe da Divisão de Educação Financeira do Banco Central, o Brasil enfrenta desafios para ampliar a cidadania financeira devido às suas dimensões, mas também por conta da disparidade dos níveis de educação das pessoas e das suas habilidades dentro do universo digital.

O caminho para tornar o país mais inclusivo, neste sentido, é a educação financeira. Desde ações tradicionais como cursos e formações, até métodos mais sofisticados, agora possíveis com o Open Finance, como análise de dados e identificação do perfil de cada cliente, por parte dos bancos, para aconselhamento de crédito e oferta de conteúdo personalizado.

De acordo com o BC, cidadania financeira equivale a inclusão e educação financeira, mas não só. A proteção ao consumidor de serviços financeiros e a sua preparação para participar das conversas sobre o setor também são importantes.

Para medir o avanço da educação financeira no Brasil, o BC e a Febraban lançaram em 2021 o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), ferramenta que permite ler dados da população e planejar políticas públicas e ações do setor privado.

Esse índice foi utilizado também na plataforma de educação financeira Meu Bolso em Dia, dotada de IA para fazer recomendações personalizadas ao usuário, conforme seu perfil e necessidades.

 

6. Beyond banking e o impacto do metaverso no longo prazo

 

Beyond banking é o termo que define a expansão do portfólio de serviços dos bancos e fintechs para além das finanças, integrando soluções como marketplaces e ofertas voltadas a atender o estilo de vida dos usuários. O conceito também é conhecido pelo público como superapp.

Na visão de Nathália Britto, gerente de Inovação Aberta do Lab 033 do Santander Brasil, o beyond banking traz oportunidades de diversificação de negócios: “O beyond banking e o embedded finance têm como norteador o foco no cliente e a atuação como realizador de sonhos, fazendo ofertas não financeiras personalizadas e diferenciadas.”

E, não dá para falar em beyond banking sem mencionar o metaverso, quando espera-se que a personalização e as transações sejam ainda mais integradas ao cotidiano.

Metaverso e finanças descentralizadas (DeFi)

 

Estes temas também foram destaques no Febraban Tech 2022, sendo pautas em diversos painéis, portanto, mostrando que as empresas do setor já acompanham muito de perto as tecnologias mais disruptivas.

O metaverso e o possível nascimento de uma “megacoin” (criptomoeda dominante) neste ambiente estão em um horizonte de longo prazo. Para chegar lá, Thammy Ivantes Marcatto, sócia-diretora de inovação e transformação da KPMG no Brasil e fundadora da Leap, explicou a necessidade de evoluções:

  • Mais velocidade: o potencial máximo do metaverso só será atingido quando houver velocidade sensorial que transmita ao cérebro humano a sensação de realidade, com latência zero, algo que só deve ocorrer com o 6G;
  • A descentralização é o ponto-chave de toda a transformação e desenvolvimento do metaverso, porque traz tecnologia e infraestrutura;
  • O posicionamento das empresas sobre descentralização, criptomoedas, tokens e NFT será fundamental para a evolução desse mercado, bem como o uso de dados para desenvolvimentos tecnológicos e branding;
  • Do ponto de vista de cidadania financeira e digital, será necessário que os preços dos acessórios que hoje dão acesso ao metaverso sejam acessíveis a mais pessoas;
  • Conforme a projeção do estudo da KPMG, o metaverso chegaria ao seu ápice em 2042, com 80% da população imersa, em um momento onde não haveria mais territorialidade. O metaverso teria suas próprias regras econômicas, total descentralização, criptomoedas circulando sem lastro com o dólar e balanceamento energético do blockchain.

 

A Dock está acompanhando de perto todas as transformações do setor financeiro na América Latina

Foi excelente estar mais uma vez junto ao setor no Febraban Tech 2022, mas, principalmente, poder ver como nossas soluções de Digital Banking, Cards, Acquiring e Risk & Compliance estão alinhadas aos movimentos do mercado.

As transformações estão chegando em uma velocidade incrível e empolgante e o nosso time segue atento a todas elas para incorporar em nossa plataforma e adaptá-la para todas as tecnologias que tornam as finanças mais orgânicas e sem amarras.

Conheça nosso manifesto: 

 

Febraban Tech 2022: o que você viu neste artigo?

 

  • Conforme a inclusão financeira cresce, os produtos de crédito serão cada vez mais personalizados para atender um consumidor cada vez mais exigente;
  • O 5G está no centro dos investimentos das instituições financeiras e irá contribuir para a implementação do Open Finance;
  • A tokenização do sistema financeiro é uma grande tendência para o setor e os planos do Banco Central são de integrar Pix, Open Finance e CBDC em um único ambiente;
  • As instituições financeiras buscam aprimorar a transmissão de valores e cultura para promover uma transformação digital mais efetiva;
  • A cidadania financeira dos brasileiros é um desafio, contudo, iniciativas do Banco Central e a atuação das empresas em educação financeira vem contribuindo para tornar o sistema mais inclusivo;
  • A descentralização das finanças é fundamental para o desenvolvimento do metaverso.

 

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