Open Banking Colômbia: os caminhos para o sistema financeiro aberto no país

Publicado em 28 de julho de 2022.

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Assim como alguns dos seus vizinhos da América Latina, a Colômbia apresenta uma enorme demanda por serviços financeiros a ser explorada. E, neste grande universo de possibilidades de acelerar a inclusão financeira e melhorar a experiência dos usuários, o Open Banking na Colômbia tem evoluído como uma promessa para a transformação do setor de pagamentos e banking. 

Mas em que fase está o projeto de sistema financeiro aberto do país? Quais são as oportunidades locais e os desafios para a implementação? Neste artigo, falaremos sobre as perspectivas que o mercado na região apresenta e como o movimento do Open Banking na Colômbia tem se desenvolvido. Acompanhe!

 

O que é Open Banking?

 

Para quem ainda não está familiarizado com o termo, Open Banking é basicamente o nome dado ao movimento mundial que viabiliza a portabilidade dos dados bancários dos clientes.

Por meio dele, clientes de um determinado banco podem disponibilizar, caso queiram, seu histórico financeiro para outras instituições.

Dessa maneira, o correntista de um determinado banco poderá acessar, por exemplo, empréstimos e financiamentos com condições mais vantajosas, em instituições com as quais nunca teve relacionamento algum no passado.

Afinal, a partir do Open Banking, as instituições bancárias não terão monopólio sobre as informações de sua carteira de clientes. Assim, com o acesso mais democrático ao histórico de cada usuário, o mercado se torna mais competitivo e eficiente.

Ao obter dados valiosos que permitirão mensurar com mais precisão o risco embutido em cada operação, a instituição terá condições, por exemplo, de reduzir o preço e encargos de cada produto e serviço financeiro oferecido.

 

Leia também | Open Finance e Open Banking: qual é a diferença e qual modelo de fato está sendo implementado no Brasil?

 

Oportunidades para serviços financeiros na América Latina: bancarização como impulso para inclusão social e desenvolvimento da economia

 

A América Latina está longe de ser um bloco com características de desenvolvimento homogêneas. Entretanto, alguns aspectos são comuns nos mercados de muitos países latinos, como o da Colômbia.

Selecionamos três das características mais frequentes para evidenciar o tamanho da oportunidade que o mercado de banking e meios de pagamento possui na região:

  • População predominantemente jovem – até 44 anos.
  • Mais de 70% da população é usuária de smartphones.
  • Baixa utilização de tecnologia para compras e serviços financeiros.

Os dados mostram que, apesar de estar habituada ao uso intensivo de dispositivos tecnológicos, a população local ainda subutiliza a tecnologia disponível em suas mãos para meios de pagamento.

Tal subutilização não deve ser creditada apenas à insuficiência de fundos e baixa educação financeira, mas também à necessidade de acelerar a inovação no setor. Ainda faltam soluções que sejam acessíveis à população desbancarizada, assim como serviços para nichos específicos, que simplifiquem e incentivem a adesão a contas digitais, serviços de crédito, entre outros.

É neste contexto que o Open Banking surge como forte impulso à medida que promove inclusão financeira e propicia significativa redução de custos na utilização dos serviços. Ou seja, reduz a barreira da escassez de recursos e estimula maior acesso.

 

 

Serviços financeiros na Colômbia: mercado favorável para novos negócios

 

Detentora do 5º maior PIB da América Latina, a Colômbia possui um ambiente de negócios favorável à abertura e atividades de empresas. Esse foi o resultado do ranking Doing Business 2020, do Banco Mundial, onde o país ficou à frente do Brasil e Argentina.

O resultado evidencia que as regulações do ambiente de negócios colombiano são promissoras, acima da média do continente. Inclusive, no quesito “obtenção de crédito” a Colômbia tem muito a oferecer: ocupa o 11º lugar no ranking mundial.

Outra oportunidade recém percebida no mercado local foi o crescimento das compras online por conta da pandemia Covid-19. A previsão da Americas Market Intelligence é que, até 2024, 12% de todo o varejo no país seja representado pelo e-commerce.

Segundo dados também divulgados pela AMI, o acesso a contas em banco e fintechs na Colômbia aumentou de 46% em 2017 para 60% em 2021.

Vale destacar que, embora o meio de pagamento mais utilizado hoje ainda seja o dinheiro em espécie, os meios de pagamento eletrônicos prometem ganhar muito espaço em pouco tempo.

Uma pesquisa da Mastercard apontou que 56% dos entrevistados já evitam comprar em estabelecimentos que não aceitam pagamentos eletrônicos modernos como QR Code, biometria etc.

Por contar com uma população especialmente jovem, com média de idade por volta dos 30 anos, é de se esperar que a adesão a meios de pagamento modernos seja ampla e veloz.

Desenvolvimento do Open Banking Colômbia

 

Diferentemente do que vem sendo feito em outros países, a adesão ao Open Banking na Colômbia não se dará ao mesmo tempo para todas as instituições. No país, optou-se por um modelo voluntário: cada instituição vai aderir no momento em que estiver preparada.

Embora esta opção pelo modelo voluntário não tenha trazido uma data definitiva para adesão, esta pode ocorrer mais rápido que o esperado. Afinal, as autoridades locais têm trabalhado no aparato regulatório que vai viabilizar o movimento de forma segura.

De acordo com Felipe Lega, diretor da Unidade de Regulação Financeira (URF) até junho de 2022, enquanto ainda ocupava o cargo, a Colômbia já contava com uma lei de proteção de dados suficientemente robusta para amparar o Open Banking. Esta é uma importante vantagem que poderá acelerar o movimento.

Somado a isso, as instituições têm enorme estímulo para adesão rápida ao Open Banking. Afinal, o valor agregado ao seus clientes é inquestionável e aquelas que não fizerem o esforço tecnológico necessário para se adaptar perderão mercado em pouco tempo.

 

Alguns dos benefícios esperados pela implementação do Open Banking na Colômbia são:

  • Melhor experiência para os clientes de serviços bancários.
  • Simplificação da usabilidade com a concentração das informações financeiras num só banco de dados.
  • Criação de produtos customizados de acordo com a necessidade de cada cliente, fomentando a inclusão financeira da população.
  • Oportunidade para novos entrantes acirrando a competição no mercado por melhores condições.

Ainda na opinião de Felipe Lega, que foi responsável por avançar a proposta do Open Banking na Colômbia, colocar todas as entidades, com diferentes tamanhos e necessidades, dentro de um mesmo cronograma de adesão seria ignorar particularidades de adaptação de cada uma delas. Isso poderia condená-las à extinção.

A ideia é que o estímulo competitivo seja a força motriz dessa mudança.

Enquanto as instituições trabalham para desenvolvimento da tecnologia necessária para o intercâmbio de dados do Open Banking, órgãos centrais criam a regulação adequada para adesão segura.

Cabe lembrar, entretanto, que o país recentemente passou por uma troca de poder em sua presidência e, com novos governos, sempre surgem incertezas sobre como projetos como este seguirão ou serão adaptados para o novo posicionamento político.

 

Decreto que regula o Open Banking na Colômbia já foi publicado

 

Recentemente, no dia 25 de julho de 2022, o Ministério da Fazenda publicou a primeira regulação das finanças abertas do país. O decreto busca precisar as regras aplicáveis ao compartilhamento de dados do consumidor, enquadrar a gestão de plataformas digitais e a prestação de serviços financeiros e regulamentar a iniciação de pagamentos, entre outras questões.

O regulamento permite, por exemplo, que as entidades ofereçam produtos ou serviços de terceiros para venda em canais não presenciais e que dados pessoais de clientes sejam comercializados, desde que devidamente autorizado pelos mesmos.

Além disso, o documento também trata sobre a vinculação das empresas ao sistema de pagamentos de baixo valor e determina que “a Superintendência Financeira da Colômbia poderá emitir instruções às entidades supervisionadas para que as atividades realizadas pelos iniciadores de pagamentos sejam desenvolvidas em condições de segurança, transparência e eficiência”.

Por fim, o decreto estabelece que o órgão regulador tem um prazo de 12 meses para definição dos padrões para o desenvolvimento da arquitetura do sistema aberto. Ainda, determina que a definição referente à iniciação de pagamentos através de sistemas de baixo valor entrará em vigor em um ano. O objetivo é que as entidades tenham tempo de realizar os ajustes necessários a fim de cumprir as novas regulamentações.

 

Desafios da regulação do Open Banking na Colômbia

 

No escopo do desenvolvimento do Open Banking, mesmo antes da publicação do decreto específico, o país já possuia a lei de proteção de dados pessoais e a circular de segurança da Informação que endereçam muitas das questões que poderiam trazer insegurança quanto ao seu processo de implementação.

Outra importante vantagem para a adesão ao Open Banking na Colômbia, segundo o órgão regulador, é a experiência que o país tem sobre as reais dificuldades da população.

Nos últimos anos a construção de políticas públicas para inclusão financeira permitiu que os principais desafios fossem identificados. Desta forma, foi possível preparar melhor o país em nível regulatório para a implementação do Open Banking na Colômbia.

Entretanto, se, por um lado, o Open Banking abrirá espaço para novos entrantes como startups e fintechs revolucionarem a interação entre a população e o sistema bancário na Colômbia, por outro lado, uma importante fragilidade regulatória poderá ser um desafio.

Segundo estudo da Finnovista de 2021, o ambiente regulatório de fintechs no país não conta com uma autoridade única e centralizadora. Dessa forma, existem diversas regulamentações espalhadas de acordo com a atividade de cada empresa.

Para 30% das fintechs entrevistadas neste estudo, deveria ser obrigatória a existência de uma autoridade central, que torne o ambiente de negócios mais organizado para suas operações.

 

Estamos acompanhando a evolução do universo financeiro na América Latina

 

A América Latina sempre foi vista como um mercado de enorme potencial para o setor de meios de pagamento e banking.

Com essa visão, aqui na Dock procuramos entender cada vez mais as diferenças e similaridades dos vários mercados que compõem esse incrível território onde nascemos e evoluímos como negócio, ao lado de muitos clientes e parceiros.

Temos pesquisado, vivenciado e pilotado projetos em diversos países da região, acumulando experiência sobre a evolução das legislações, maturidade do mercado de meios de pagamento e comportamento do consumidor de cada diferente nação. E, recentemente, cada vez mais conectados ao mercado colombiano, com operação e escritório no país

Assim, estamos acompanhando de perto as movimentações rumo ao sistema financeiro aberto e todas as oportunidades que ele trará para a Colômbia!

 

 

Open Banking na Colômbia: o que você viu nesse artigo?

  • Open Banking, também conhecido como sistema financeiro aberto, é o modelo que permite aos usuários compartilhar suas informações entre diferentes instituições, possibilitando acesso a melhores soluções. Essa é uma importante ferramenta para estímulo à competitividade no setor.
  • Assim como outros países da América Latina, a Colômbia está avançando com seu projeto de Open Banking. Porém, ao contrário de seus vizinhos, no país o modelo terá adesão voluntária das instituições.
  • Segundo a Unidade de Regulação Financeira (URF), o Open Banking na Colômbia está amparado por uma boa regulamentação de proteção de dados e conhecimento aprofundado sobre as necessidades da população.
  • No dia 25 de julho de 2022, foi publicado o decreto que regulamenta o sistema financeiro aberto na Colômbia.

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