O Dia da Consciência Negra na Dock pela voz do nosso time

Publicado em 19 de novembro de 2021.

Tempo de leitura 13 minutos de leitura

Neste mês de novembro, a pauta da Consciência Negra esteve presente nas nossas reuniões internas, canais de comunicação com o time e redes sociais com depoimentos de alguns dos nossos dockers que convidam a refletir sobre a importância do combate ao racismo e das ações com foco em promover a diversidade e a inclusão no ambiente corporativo. 

Vem ver neste artigo as indicações e as histórias que eles compartilharam!

 

 

Suelen Rocha, Designer de UX/UI

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“Meu nome é Suelen Rocha, tenho 35 anos e sou formada em Ciência da Computação, com especialidade em UX Design pela ESPM. Estou na Dock há um mês e neste pouco tempo já percebi o quanto a empresa cresce ao mesmo tempo em que inspira crescimento. #DockLover.

Em breve, o Brasil passará por novas eleições e estarão ainda mais em pauta discussões a respeito de minorias, incluindo a de mulheres negras. Por isso, quero falar de mulheres negras no universo empresarial.

Neste mês em que comemoramos o Dia da Consciência Negra, ser e representar a comunidade feminina de mulheres negras na Dock nesta ação e em qualquer outro lugar é uma honra! Fazer parte de uma empresa, estudar e se profissionalizar para uma posição de liderança é lembrar que existe um propósito maior a ser construído e firmado. Ser mulher negra é deixar um legado para as crianças e adolescentes que estão vindo e se espelhando em você. Fazemos isso por todas as mulheres, de todas as idades, que podemos representar.

Segundo a ONU Brasil, o país tem 55,6 milhões de mulheres negras e elas recebem, em média, 40% do salário de um homem de pele branca. Elas representam 27% da população, mas ocupam menos de 1% dos cargos de alta liderança nas empresas. 

Já tive a oportunidade de liderar um grupo de 3,5 mil vozes e ouvi de tudo um pouco, de elogios a críticas, por conta do meu cabelo, tom de pele, tom de voz, experiência etc…. mas não desanimei. Estudei, persisti e continuei na caminhada, pois o meu maior legado foi deixar amor, empatia e conhecimento.

Mulher negra, deixe seu legado, deixe sua experiência no coração de alguém. Não tenha vergonha, siga em frente, seja você, abra a boca e fale, não desanime quando ouvir críticas , faça delas alças para chegar lá em cima. Não tenha medo de dizer que é negra, de assumir seu cabelo, de buscar cargos altíssimos, de querer ser mais… Estamos neste mundo para agregar um ao outro, sendo verdadeiros e patenteando a cor maravilhosa e a alegria que só nós temos.”

 

 

Marcos Ubiratan, Analista de Projetos

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“Meu nome é Marcos Ubiratan e vim falar um pouco sobre a Importância da diversidade e inclusão da população negra nas empresas.

É perceptível que a palavra “inovação” tem sido muito utilizada no ambiente corporativo. Não só há uma demanda social e empresarial por sermos inovadores como também exemplos de que o obsoleto perde espaço no mercado. Contudo, a inovação não está somente conectada à criatividade ou a descobertas, mas sim à exploração de novas ideias. E, num mundo plural, os times envolvidos nas atividades precisam ser diversos ou as ideias desenvolvidas não conversarão com diferentes realidades, resultando em soluções sempre parciais.

Segundo o IBGE, 54% da população brasileira é negra, composta de pessoas pretas e pardas. Entretanto, quando olhamos para os ambientes corporativos, dificilmente conseguimos enxergar essa proporção, especialmente nas altas hierarquias. Curioso, não? Mais do que curioso, isso é reflexo do racismo estrutural que tem suas raízes muito bem fundadas na história do Brasil.

Os dados estatísticos (IBGE, PNAD, entre outros) são claros e evidenciam a construção da desigualdade socioeconômica e, sobretudo, de oportunidades quando olhamos a posição da população negra em comparação à população branca – menos ocupação em trabalhos formais, menores salários, menor formação acadêmica em número gerais, menos oportunidades, mais pobreza, mais marginalização, mais mortalidade. Há uma dívida com a população negra. Há necessidade de reparação histórica e isso é de responsabilidade de todos nós.

Quando digo que a diversidade impacta diretamente na parcialidade das soluções desenvolvidas, podemos fazer uma conexão com as empresas de tecnologia. A programação atualmente é o carro-chefe destas empresas e por trás dos códigos, algoritmos e robôs há pessoas. Dentro de um contexto de racismo estrutural, se esse grupo não for cada vez mais diverso, isso poderá refletir cada vez mais também em nosso mundo virtual e tecnológico, criando um ambiente racista e discriminatório. Indico a leitura dessa matéria, que fala sobre o tema.

Não somente a esfera pública, mas também a privada precisa apoiar a  inclusão da população negra. E quando falamos de inclusão estamos falando de oportunidades, formação, busca ativa.

É necessário entender-se genuinamente como parte do problema para se importar e se ver como parte da solução.  E isso é urgente.”

 

 

Taiana Emanoela, Analista de Negócios

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“Olá, meu nome é Taiana Emanoela, e a maioria das pessoas me chamam de Tai.

Tenho 38 anos, estou na empresa Dock há exatos 7 meses. Vou falar sobre expressões de cunho racista, muitas vezes utilizadas no dia a dia e no mundo corporativo.

Como estamos no mês de novembro, é importante, falar da nossa história e da nossa comunidade. Explanarei como todos nós podemos contribuir para uma sociedade e um mundo mais consciente. Precisamos nos educar e revisar o nosso vocabulário para que tenhamos uma linguagem mais atualizada e menos ofensiva.

Com essas mudanças, você pode contribuir para uma luta mais justa de igualdade e respeito com a sociedade.”

Expressões racistas para tirar do seu vocabulário:

Meia-tigela

Remete aos negros que trabalhavam à força nas minas de ouro e nem sempre conseguiam alcançar suas “metas”. Por isso, recebiam como punição apenas metade da tigela de comida. Hoje significa algo sem valor e medíocre.

Troque para: Trabalho malfeito, serviço ou objeto de má qualidade.

Denegrir

Sinônimo de difamar, possui na raiz o significado de “tornar negro”, como algo maldoso e ofensivo.

Troque para: Difamar.

A coisa tá preta

A expressão racista associa o “preto” a uma situação desconfortável, desagradável, difícil e perigosa.

Troque por: A coisa está feia.

Feito nas coxas

A origem da expressão popular deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de escravos. As telhas não tinham um formato regular, portanto não se encaixavam corretamente.

Troque por: Feito de qualquer jeito, malfeito.

Nhaca

Desde o Brasil Colônia, vem sendo usada para referir-se ao mal cheiro, forte odor. No entanto, Inhaca é uma ilha de Moçambique, reforçando estereótipos e preconceitos.

Troque por: Cheiro ruim, odor forte.

Lista Negra

Essa expressão é sempre utilizada de forma negativa. Uma pessoa estar em uma “lista negra” significa que ela não pode ter acesso facilmente a alguns ambientes, adquirir crédito no mundo financeiro, entre outros.

Troque por: Lista proibida.

Mulata

A palavra refere-se à mula, um animal do cruzamento de burro com égua. Na época da escravidão, muitas escravas eram abusadas pelos patrões e acabavam engravidando. As crianças eram chamadas de mulatas por serem filhos de um homem branco com uma mulher negra. Hoje, as pessoas usam esse termo para se referir às pessoas pardas, o que é errado.

Troque por: Mulher negra.

 

 

Mauricio Sena, Analista de Riscos e Controles Internos

Maurício Sena

“Olá, sou o Maurício Sena, tenho 33 anos, estou na Dock há três meses. Hoje, dia 20 de novembro, é comemorado o Dia da Consciência Negra. É nesta data que a nossa negritude reflete as principais lutas e avanços que tivemos e ainda lutamos para conquistar, mas precisamos falar sobre a consciência negra todos os dias.

A minha, a nossa negritude vai além de precisar ficar explicando o racismo, respondendo a perguntas com as quais sempre me deparo, como: o nosso país é racista? Como devo me referir a pessoas de cor: negro ou preto? Você já sofreu racismo?

São perguntas cujas respostas hoje temos à disposição na internet, em livros e outros conteúdos.

Eu convivo todos os dias com uma sociedade racista. Um país onde cerca de 77% das vítimas de homicídio são negras e a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes maior do que uma pessoa branca, de acordo com estudo publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Me deparei com minha negritude em um episódio de racismo que sofri e que me marcou. Aconteceu quando eu trabalhava em uma agência bancária. Estava realizando o atendimento de uma pessoa branca e conversando com ela, quando ela comentou que estava em um stand-up muito engraçado em que o humorista começou a fazer piadas sobre pretos. Em certo momento a pessoa olhou para mim e disse: “Você deve saber como é, né?”. Na hora fiquei sem reação e apenas concordei, mas depois parei para pensar que, por ser negro, essa pessoa achou que eu entenderia que poderia ser engraçado fazer piadas com pessoas negras.

Por isso, defendo que as pautas raciais de representatividade devem estar na sociedade todos os dias e ir além de uma data comemorativa. Não podemos tolerar falas, expressões racistas e ações de violência devido à cor da pele. Temos que ter o direito de entrar em qualquer loja e não ser vigiado de perto, temos que ter as mesmas condições no mercado de trabalho, receber salários iguais.

Recomendo a leitura do Pequeno Manual Antirracista, da Djamila Ribeiro. Ele traz em seus capítulos ações para estimular o autoconhecimento e práticas antirracistas.

Agradeço à Dock por abrir esse espaço e pela preocupação sobre o tema.”

 

 

Janiclene Sousa, Analista de Desenvolvimento

Janiclene

“Oi, sou a Janiclene, tenho 34 anos, estou na Dock há dois anos e quero falar sobre o racismo estrutural presente em relações que se baseiam na ideia de inferioridade dos negros, transmitidas por geração anteriores.

Não fomos educados para nos aceitar de forma que nascemos e levamos muito tempo para aceitar nossa cor, cabelo, etnia e orientação sexual. Passou da hora dessa luta por igualdade ganhar espaço dentro de casa, do trabalho e da escola. Quanto mais abordarmos o assunto, maiores são as chances de um futuro mais justo.”

 

Júlia Campos, Analista de Controles Internos

Júlia

“Oi, sou a Júlia, tenho 28 anos, trabalho na Dock há dois meses e estou aqui para falar um pouco sobre como o racismo estrutural acontece.

Quando as pessoas me olham, nem sempre sou considerada negra. Sou uma negra de pele clara, de família paterna negra e família materna branca. Então, sou vista como as pessoas querem me enxergar e como é conveniente no momento.

Meu cabelo é naturalmente cacheado para crespo. Para quem entende do assunto, ele é um 3B. Eu alisei meu cabelo por muitos anos para me sentir aceita, me sentir bem, me sentir arrumada.

Há alguns anos, vi que nada disso fazia sentido e decidi passar por uma transição. Parei de alisar o cabelo e deixei ele crescer naturalmente. Durante esse processo, várias inseguranças e medos surgiram, mas segui firme até o dia em que terminei de cortar a parte alisada.

No primeiro dia em que fui trabalhar com o cabelo natural, fui o mais arrumada possível: roupa social, blazer, salto alto, maquiagem e… cabelo cacheado. Nesse dia, “coincidentemente” meu gestor me chamou para uma conversa e disse que era importante eu me preocupar com minha imagem, que era necessário passar seriedade e profissionalismo, afinal, eu lidava diretamente com o público. As pessoas precisavam olhar para mim e enxergar confiança. Sendo assim, era relevante que eu trabalhasse arrumada, alinhada e passasse uma imagem confiável.

Tudo isso foi dito com classe e elegância e, naquele momento, eu não entendi bem o que estava acontecendo. Mas a verdade é que aquilo foi um racismo “velado”. A associação de um cabelo não liso a uma imagem não profissional. Uma afirmação de que uma característica minha colocava em questionamento a confiança no meu trabalho e no que eu poderia entregar. Naquele momento, nada mais importava, o foco estava em eu ter ido trabalhar com um cabelo não liso.

É assim que as atitudes de racismo acontecem de forma “elegante”. Você quase não percebe o que ocorreu. Mas o racista age assim: as características que sinalizam sua origem são usadas como ponto de questionamento da sua capacidade de realizar coisas que os brancos fazem normalmente.

Se você pensa ou já pensou dessa forma, está na hora de refletir sobre esses conceitos que aprendemos desde a infância. É uma desconstrução e evolução diária!”

 

Queremos construir uma Dock mais diversa e inclusiva!

As ações pelo dia da Consciência Negra fazem parte do nosso compromisso em ter um time mais diverso e de ocupar um papel cada vez mais ativo na formação e desenvolvimento dos profissionais por meio de ações afirmativas. Um objetivo que vai além do mês de novembro!

Acreditamos que a diversidade é a essência da inovação. Construímos um ambiente de equidade, inclusão, troca e aprendizado que incendeia nossas ideias. Para nós, boas ideias podem surgir de qualquer lugar e a qualquer momento. Ao mesmo tempo, nos sentimos à vontade para discordar e debater diferentes pontos de vista, de igual para igual.

Temos o compromisso em atuar com responsabilidade em todas as esferas (Ambiental, Social e Governança), para garantir a sustentabilidade do negócio frente às principais tendências e desafios globais, entregando valor para nosso time, clientes, fornecedores, investidores e a sociedade.

Se você se identifica com a Dock, vem saber mais sobre como é trabalhar com a gente!

 

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Se você também acredita nesse futuro, vem construir ele com a gente!

 

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