Open Finance na Colômbia: os caminhos da evolução do sistema financeiro aberto no país
Assim como alguns de seus vizinhos latino-americanos, a Colômbia possui uma enorme demanda inexplorada por serviços financeiros. O cenário mudou significativamente desde 2022, quando foi publicado o decreto que regulamenta o sistema financeiro aberto no país. Hoje, o debate já não se limita apenas ao Open Banking, mas ao avanço do Open Finance na Colômbia como ferramenta para ampliar a inclusão financeira, estimular a concorrência e modernizar a experiência dos usuários.
Mas em que estágio se encontra o projeto de Open Finance na Colômbia? Quais são as oportunidades e os desafios locais para sua implementação?
Neste artigo, discutiremos o cenário atual do Open Finance colombiano, os avanços regulatórios e as perspectivas para o mercado financeiro no país. Acompanhe!
O que é Open Banking?
Open Banking é basicamente o nome dado ao movimento global que possibilita a transferência de dados bancários dos clientes. Por meio dele, os clientes de um determinado banco podem oferecer seu histórico financeiro a outras instituições, se assim o desejarem.
Dessa forma, o titular de uma conta corrente em determinado banco pode acessar, por exemplo, empréstimos e financiamentos com condições mais vantajosas, em instituições com as quais nunca teve relacionamento anteriormente.
Com o Open Banking, portanto, as instituições bancárias deixam de ter o monopólio das informações de seus clientes. Assim, com um acesso mais democrático ao histórico de cada usuário, o mercado se torna mais competitivo e eficiente.
Ao obter dados valiosos que permitem uma medição mais precisa do risco de cada operação, a instituição pode, por exemplo, reduzir o preço e as taxas de cada produto e serviço financeiro oferecido.
O que é Open Finance
O Open Finance é um modelo que permite o compartilhamento seguro e autorizado de dados financeiros entre diferentes instituições.
Mais amplo que o Open Banking, o sistema conecta bancos, fintechs, empresas de pagamentos, seguradoras, plataformas de crédito e outros participantes do mercado financeiro.
O objetivo é criar um sistema mais integrado, competitivo e acessível, permitindo o desenvolvimento de serviços financeiros mais personalizados e eficientes.

Qual a diferença entre Open Finance e Open Banking
De uma forma resumida, podemos dizer que o conceito de Open Finance é mais amplo: trata-se, de fato, da abertura do sistema financeiro como um todo.
Como vimos, diferentemente do Open Banking, o Open Finance vai além dos bancos e amplia a integração para todo o sistema financeiro, incluindo fintechs, plataformas de investimento, empresas de pagamentos, seguradoras e outros provedores de serviços financeiros.
Na prática, o Open Finance é considerado uma evolução do Open Banking.
Na Colômbia, o Open Banking começou a ganhar relevância regulatória entre 2021 e 2022, com as discussões da Unidade de Regulação Financeira (URF) sobre compartilhamento de dados e iniciação de pagamentos.
Já o Open Finance passou a tomar forma a partir de 2023, acompanhando o amadurecimento do ecossistema fintech e a expansão dos pagamentos digitais.
Oportunidades para serviços financeiros na Colômbia
A América Latina atravessa uma fase de transformação estrutural no sistema financeiro, impulsionada pela digitalização, inovação regulatória e expansão do acesso a serviços financeiros. Nesse contexto, a Colômbia se destaca como um dos mercados mais dinâmicos da região, combinando inclusão financeira em evolução e forte crescimento do ecossistema fintech.
Inclusão financeira em expansão
Um dos principais vetores de oportunidade é a inclusão financeira em expansão, ainda com lacunas relevantes.
Entre 2021 e 2025, o índice de inclusão financeira da Colômbia avançou de 38 para 45,4 pontos, mostrando melhora consistente, embora ainda abaixo da média regional latino-americana, aponta o Índice de Inclusão Financeira (IIF) do Banco de Ideias da Credicorp.
Apesar disso, a adoção de carteiras digitais já alcança cerca de 73% da população, reforçando a digitalização dos serviços financeiros e abrindo espaço para soluções integradas de pagamentos, crédito e gestão financeira.
Ecossistema fintech em expansão
A Colômbia se consolidou como um dos hubs fintech mais dinâmicos da América Latina. O país já ultrapassa a marca de 400 fintechs ativas, com forte presença em segmentos como crédito digital, pagamentos, infraestrutura financeira e gestão de dados.
Esse crescimento é impulsionado por maior acesso a capital, amadurecimento regulatório e demanda reprimida por serviços financeiros mais acessíveis.
Além disso, a evolução do Open Finance e a expansão de sistemas de pagamentos instantâneos, como o Bre-B, fortalecem o ambiente competitivo e criam novas oportunidades para integração de serviços financeiros baseados em dados e APIs.
O resultado é um ecossistema mais aberto, no qual bancos tradicionais e fintechs competem e colaboram em novas jornadas digitais.
Demanda de crédito das micro e pequenas empresas
Outro ponto relevante é o potencial das micro e pequenas empresas, que representam aproximadamente 99% das empresas do país e geram grande parte dos empregos, mas ainda enfrentam restrições no acesso a crédito formal.
Esse cenário abre espaço para fintechs de crédito, soluções de credit engine e modelos baseados em dados alternativos.
Digitalização dos pagamentos e novos meios de transação
A digitalização dos pagamentos segue avançando rapidamente. O uso de dinheiro em espécie vem diminuindo, enquanto pagamentos digitais e instantâneos ganham escala.
Iniciativas como o sistema de pagamentos imediatos Bre-B reforçam essa tendência, buscando ampliar eficiência, reduzir fricções e modernizar a infraestrutura de pagamentos do país.
Desenvolvimento do Open Finance na Colômbia
A implementação do Open Finance na Colômbia ocorreu de forma gradual, com participação progressiva das instituições financeiras e foco em interoperabilidade e uso responsável de dados.
O processo ganhou forma em 2018, quando a Unidad de Regulación Financiera (URF) e a Superintendencia Financiera de Colombia (SFC) passaram a estruturar uma agenda de finanças abertas no país.
Em 2020 e 2021, avançaram as definições de diretrizes técnicas e regulatórias, com ênfase em padrões de APIs, consentimento do usuário e segurança da informação. Nesse período, também foram fortalecidos os sandboxes regulatórios para testes de soluções em ambiente controlado.
O marco regulatório mais relevante ocorreu em julho de 2022, com a publicação do decreto que consolidou as bases do sistema financeiro aberto no país. A partir dele, o modelo passou a operar de forma voluntária e com maior coordenação regulatória.
Desde então, o ecossistema entrou em fase de estruturação, com maior clareza de regras, incentivo à adesão de bancos, fintechs e outros players, além de avanços em padronização e escalabilidade.
A partir de 2023 o modelo passou a evoluir para o conceito mais amplo de Open Finance, expandindo o compartilhamento de dados para além do ambiente bancário e incluindo informações de crédito, seguros e investimentos. Esse avanço segue em curso e reforça a construção de um ecossistema financeiro mais integrado e competitivo.
Benefícios esperados da implementação do Open Finance na Colômbia
- Melhor experiência para clientes de serviços bancários.
- Simplificando a usabilidade ao concentrar as informações financeiras em um único banco de dados.
- A criação de produtos financeiros personalizados de acordo com as necessidades de cada cliente, promovendo a inclusão financeira da população.
- Oportunidade para novos participantes, intensificando a concorrência no mercado por melhores condições.
A ideia é que os incentivos competitivos sejam a força motriz por trás dessa mudança.
Open Finance na Colômbia após a obrigatoriedade do Decreto 0368/2026
O Open Finance na Colômbia entrou em uma nova fase a partir de abril de 2026, quando o governo tornou o modelo obrigatório por meio do Decreto 0368, substituindo a abordagem voluntária estabelecida em 2022.
Em outras palavras, a medida consolida uma mudança estrutural no sistema financeiro do país, ao exigir que todas as entidades supervisionadas pela Superintendencia Financiera de Colombia (SFC) compartilhem dados financeiros dos clientes, mediante consentimento.
Dessa forma, bancos, seguradoras, fundos de pensão e demais instituições abrangidas pela regulação passam a ser obrigados a disponibilizar informações como histórico de transações, produtos financeiros e dados cadastrais, sempre sob autorização do usuário.
Desafios regulatórios, técnicos e de adoção no Open Finance colombiano
A implementação do Open Finance na Colômbia representa um avanço estrutural importante, mas também impõe uma série de ajustes complexos para instituições financeiras e novos entrantes, tais como:
- Complexidade de execução técnica e operacional, com instituições tendo até 12 meses para adequação a padrões, diretórios de participantes e integrações via APIs;
- Integração do ecossistema, especialmente de fintechs não supervisionadas diretamente pelo regulador, que dependem de mecanismos voluntários, podendo gerar assimetrias de participação;
- Custos de implementação, com risco de repasse ao usuário final ou de criação de barreiras de entrada para novos participantes;
- Necessidade de fortalecimento da confiança do usuário, já que o compartilhamento de dados depende de consentimento claro.
O futuro do Open Finance na Colômbia e seus impactos no sistema financeiro
A adoção obrigatória do Open Finance tende a gerar uma transformação estrutural no mercado financeiro colombiano, ampliando a concorrência e reduzindo barreiras de mobilidade entre instituições.
Espera-se um avanço significativo em inclusão financeira, com melhora no acesso ao crédito e criação de produtos mais personalizados, baseados em dados mais completos do comportamento financeiro dos usuários.
O modelo também abre espaço para novos modelos de negócio, com instituições migrando de receitas baseadas apenas em produtos para ofertas baseadas em serviços e soluções orientadas a dados.
Por fim, a experiência internacional, especialmente de mercados já mais maduros, indica que a padronização e a ampla adesão podem acelerar ganhos como maior aprovação de crédito e expansão da base de clientes do sistema financeiro.
Estamos acompanhando a evolução do universo financeiro na América Latina
A América Latina sempre foi vista como um mercado com enorme potencial para o setor de pagamentos e serviços financeiros. Com essa visão, aqui na Dock, buscamos compreender cada vez mais as diferenças e semelhanças entre os diversos mercados que compõem esse território incrível onde nascemos e evoluímos como empresa, ao lado de muitos clientes e colaboradores.
Realizamos pesquisas, experimentações e projetos-piloto e hoje temos clientes em diversos países da região, acumulando experiência sobre a evolução da legislação, a maturidade do mercado de pagamentos e o comportamento do consumidor em cada uma dessas nações.
Desde 2022, temos intensificado nossa presença no mercado colombiano, com operações e escritório local. Com forte atuação no país, nos destacamos como provedores de tecnologia do Bre-B, o sistema de pagamentos instantâneos da Colômbia inspirado no modelo do Pix brasileiro.
Assim, estamos acompanhando de perto o mercado financeiro colombiano e o movimento em direção ao Open Finance e todas as oportunidades que ele trará para a Colômbia!
Evolução do Open Finance na Colômbia: o que você observou neste artigo?
- A Colômbia vem evoluindo de um modelo de Open Banking para um ecossistema mais amplo de Open Finance, com foco em inclusão financeira, concorrência e integração de serviços;
- O marco regulatório do sistema financeiro aberto foi estabelecido em julho de 2022, introduzindo uma abordagem inicialmente voluntária e baseada em adesão progressiva das instituições;
- Em 2026, o país avançou para um modelo obrigatório com o Decreto 0368, exigindo que instituições supervisionadas compartilhem dados financeiros dos clientes mediante consentimento;
- Nesse contexto, a Dock atua como provedora de tecnologia no ecossistema financeiro colombiano, com presença local e participação em iniciativas de infraestrutura de pagamentos como o Bre-B, contribuindo para a evolução dos sistemas financeiros digitais na região.
Artigos relacionados
- Plataforma de serviços financeiros: como o seu negócio pode atuar no setor com o Banking as a Service
- Qual é o real potencial da IA agêntica nos serviços financeiros: aplicações, tendências e desafios
- Fintech de crédito: oportunidades e soluções para inovar no setor financeiro da América Latina
- Bancarização de crédito: o movimento que cria novas oportunidades de negócio para empresas atuarem no setor financeiro
- Real Time Payments: a importância da tecnologia de ponta como diferencial na nova era dos pagamentos