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[Febraban Tech 2026] Comportamento financeiro: como a combinação de diferentes fontes de dados transforma a análise de crédito

Publicado em 03 set 2026. 14 minutos de leitura
[Febraban Tech 2026] Comportamento financeiro: como a combinação de diferentes fontes de dados transforma a análise de crédito

Entender o comportamento financeiro do cliente pode tornar a análise de crédito mais precisa, ampliar a inclusão financeira e revelar consumidores que os modelos tradicionais ainda não conseguem enxergar. Durante muito tempo, a análise de crédito esteve concentrada em informações como score, histórico de pagamentos, renda declarada e relacionamento com instituições financeiras. Esses dados continuam importantes. Mas, em um mercado cada vez mais digital, entender o comportamento financeiro do consumidor exige olhar além do histórico de crédito.

O fato é que a combinação de diferentes fontes de dados, incluindo informações transacionais do Open Finance e, em determinados contextos, dados de renda e vínculo profissional, pode mudar a forma como instituições, e empresas que ofertam produtos e serviços financeiros, avaliam seus clientes.

É justamente para entender como essa combinação de dados pode transformar, na prática, a análise de crédito, que discussões sobre o tema vêm ganhando espaço no mercado.

Um exemplo foi a palestra “Clientes Invisíveis: como dados de INSS e Open Finance mudam a jornada de crédito”, apresentada por Rodrigo Franciscani, Head de Vendas da Belvo, Armando Junior, Strategic Alliances & Product Risk Director da Dock, e Henrique Nadal, Product Director da Dock, no Febraban Tech 2026.

Neste artigo, trazemos os principais pontos levantados pelos especialistas que ajudam a mostrar como diferentes fontes de dados podem ampliar a visão sobre o consumidor e tornar o crédito mais preciso e inclusivo.

O que é comportamento financeiro?

 

Comportamento financeiro é a maneira como uma pessoa administra, movimenta e utiliza seus recursos ao longo do tempo. Na análise de crédito, observar esse comportamento significa ir além de informações estáticas e buscar sinais que mostrem como o consumidor realmente lida com sua vida financeira.

Entre os dados que podem ajudar nessa avaliação estão:

  • Movimentações e transações financeiras: frequência, valores e recorrência;
  • Entradas de recursos: origem e regularidade da renda;
  • Padrões de consumo: como os recursos são distribuídos ao longo do tempo;
  • Compromissos financeiros: pagamentos e nível de comprometimento;
  • Estabilidade financeira: mudanças e oscilações no comportamento;
  • Relacionamento financeiro: como o consumidor utiliza diferentes contas e produtos financeiros.

Essa visão é especialmente relevante para clientes que possuem pouco histórico de crédito. Afinal, não ter um histórico financeiro extenso não significa necessariamente não ter capacidade de pagamento.

 

Por que o comportamento financeiro é importante para a análise de crédito?

 

Os modelos tradicionais de crédito dependem de dados históricos para estimar o risco de um consumidor. O problema aparece quando essas informações são insuficientes.

É o caso de pessoas que tiveram pouco acesso a produtos financeiros, consumidores que estão começando a construir seu histórico de crédito ou perfis cuja realidade financeira não é bem representada pelos dados disponíveis.

Nessas situações, analisar o comportamento financeiro pode trazer novos elementos para a decisão. Em vez de considerar apenas o que já aconteceu, a instituição pode observar sinais sobre como o consumidor administra seus recursos atualmente.

Isso ajuda a construir uma visão mais contextualizada do cliente e pode reduzir os chamados pontos cegos da análise de crédito.

Como o Open Finance ajuda a entender o comportamento financeiro?

 

O Open Finance amplia a quantidade de informações que podem ser utilizadas na análise financeira, sempre a partir do consentimento do cliente. Cinco anos após o lançamento, essa estrutura já alcança uma escala relevante no Brasil: são 240 milhões de consentimentos ativos e cerca de 800 instituições participantes.

Uma das principais contribuições está na possibilidade de acessar informações de diferentes relacionamentos financeiros e visualizar o comportamento do consumidor de maneira mais completa. Ou seja, é possível analisar não apenas uma conta ou um produto, mas diferentes aspectos da movimentação financeira do cliente.

Essa visão pode revelar padrões que não aparecem em uma análise tradicional.

Por exemplo: duas pessoas podem ter a mesma renda, mas apresentar comportamentos financeiros completamente diferentes. Uma pode ter entradas recorrentes, gastos previsíveis e compromissos sob controle. Outra pode apresentar maior oscilação financeira e elevado comprometimento da renda.

Nesse exemplo, a renda é a mesma, mas o comportamento financeiro, não. É essa diferença que torna os dados transacionais relevantes para a análise de crédito.

Dados de INSS como exemplo de uma visão mais completa

O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS, é descrito como a maior base de dados sociais do país e reúne mais de 42 bilhões de dados cadastrais e laborais dos cidadãos, incluindo informações sobre renda, vínculos formais de trabalho e benefícios previdenciários e assistenciais.

Informações relacionadas a vínculos de trabalho e renda disponíveis  mostram como novas fontes de informação podem ampliar a análise de crédito e ajudar instituições e empresas a compreender melhor a realidade do consumidor.

Enquanto os dados transacionais permitem observar como o dinheiro circula no dia a dia, informações provenientes de bases como o CNIS podem trazer dados  sobre renda, vínculo empregatício, histórico de trabalho e evolução salarial. Essa combinação ajuda a construir uma visão mais completa do perfil financeiro e do risco de cada cliente.

Foi justamente essa combinação entre dados relacionados a vínculos e renda, Open Finance e outras informações financeiras que norteou a palestra apresentada pela Dock e pela Belvo no Febraban Tech 2026. A proposta apresentada mostra, na prática, como diferentes fontes de dados podem ser combinadas para apoiar decisões de crédito mais precisas.

Como explica Henrique Nadal, da Dock, Product Director da Dock, o uso dessas informações permite reduzir a dependência de estimativas e trabalhar com dados diretamente provenientes de sua origem.

“Uma das grandes diferenças que temos aqui é parar de depender de presumir informações e passar a ter certeza dessas informações, porque estamos consumindo dados da fonte de verdade”, conclui Nadal.

Na prática, o uso desse conjunto de informações pode contribuir para:

  • Apoiar a decisão de crédito com informações de renda provenientes de fontes oficiais;
  • Reavaliar clientes que já foram negados;
  • Ampliar o acesso ao crédito para consumidores sem histórico;
  • Oferecer condições mais personalizadas, considerando a evolução da renda e a estabilidade profissional.

A relevância dos dados do INSS está não apenas no tamanho da base, mas também na diversidade de informações que ela reúne.

Clientes invisíveis: quando falta histórico, mas não falta informação

 

Como vimos, um dos desafios de uma análise de crédito inteligente é identificar consumidores que possuem capacidade financeira, mas não apresentam dados suficientes nos modelos tradicionais. São os chamados clientes invisíveis.

Esse grupo pode incluir consumidores com pouco histórico de crédito ou perfis que não se encaixam bem nas fontes tradicionais de análise. Quando isso acontece, existe o risco de confundir falta de informação com falta de capacidade de pagamento.

O uso de novas fontes de dados pode ajudar a diminuir esse problema.

Quanto mais completa for a visão sobre o comportamento financeiro do consumidor, maior pode ser a capacidade da instituição de diferenciar “não tenho dados suficientes” de “esse cliente apresenta alto risco”.

 

Comportamento financeiro pode ampliar a inclusão financeira

 

Uma análise de crédito mais contextualizada também pode contribuir para a inclusão financeira. Quando uma instituição ou empresa consegue conhecer melhor um consumidor, aumenta sua capacidade de avaliar diferentes perfis financeiros.

Isso pode abrir espaço para clientes que anteriormente encontravam dificuldades para acessar soluções de crédito justamente porque não possuíam um histórico suficiente. Dessa forma, o objetivo não é simplesmente aprovar mais crédito, mas tomar decisões melhores com base em mais informações.

Para as instituições e empresas que oferecem serviços e produtos financeiros, isso pode significar encontrar novas oportunidades de negócio com mais informações para apoiar a gestão de risco. Para os consumidores, pode representar acesso a produtos e serviços mais adequados à sua realidade.

Como o comportamento financeiro muda a jornada de crédito?

 

O uso de dados alternativos não precisa estar restrito a uma única decisão, podendo acompanhar toda a evolução do relacionamento entre cliente e instituição. Portanto, a análise baseada em comportamento financeiro, pode impactar diferentes etapas da jornada de crédito, tais como:

  • Originação: na contratação de um produto de crédito, mais informações podem ajudar a instituição a conhecer melhor o perfil do consumidor.
  • Análise de risco: dados transacionais e outras informações complementares podem fornecer novos sinais para a avaliação de risco e apoiar os modelos tradicionais.
  • Definição de limites: uma visão mais completa da capacidade financeira pode ajudar na definição de limites e condições mais adequados ao perfil do cliente.
  • Personalização: o comportamento financeiro também pode contribuir para oferecer produtos e experiências mais alinhados às necessidades de diferentes consumidores.

O futuro da análise de crédito passa por uma visão mais completa do cliente

 

A transformação da análise de crédito não significa deixar de lado o score, o histórico ou outros dados tradicionais. O movimento é de complementação. Quanto mais fontes relevantes são analisadas de forma integrada, maior é a capacidade de construir uma visão mais completa do consumidor.

Nesse contexto, o comportamento financeiro ganha protagonismo ao acrescentar uma dimensão dinâmica à análise, mostrando não apenas o histórico do cliente, mas também como ele se relaciona com suas finanças ao longo do tempo.

A combinação entre Open Finance, comportamento financeiro e diferentes fontes de dados aponta para uma evolução importante no mercado de crédito: passar de uma análise baseada em informações isoladas para uma avaliação mais contextualizada e capaz de capturar diferentes dimensões do perfil do consumidor.

Como a Dock e a Belvo transformam dados em inteligência para crédito?

Tornar clientes invisíveis em clientes mais visíveis para o crédito. Essa é a oportunidade que surge quando instituições combinam dados de INSS, Open Finance e outras informações financeiras autorizadas pelo consumidor para construir uma visão mais completa de sua capacidade e comportamento financeiro.

É nesse cenário que a parceria Dock e Belvo atua.

A Belvo conecta instituições aos dados financeiros autorizados pelos consumidores por meio do Open Finance, transformando informações financeiras e transacionais em dados estruturados e acionáveis.

A Dock, por sua vez, oferece a infraestrutura para que instituições e fintechs transformem essa inteligência em experiências, produtos e jornadas financeiras.

Na prática, a combinação permite ir além de uma análise de crédito baseada apenas no histórico. Em vez de olhar somente para o que o consumidor já fez no sistema financeiro, é possível incorporar sinais que ajudam a entender como esse cliente se comporta financeiramente hoje.

 

Mais dados. Mais contexto. Mais inteligência para decidir.

 

Ao integrar diferentes fontes de informação, a análise pode ganhar novos sinais para apoiar decisões de crédito, como:

  • Renda e entradas recorrentes, para entender melhor a capacidade financeira do consumidor;
  • Movimentação e comportamento financeiro, revelando padrões que não aparecem em uma análise tradicional;
  • Estabilidade e recorrência, adicionando contexto à avaliação de risco;
  • Relacionamento com diferentes instituições, ampliando a visão sobre o cliente;
  • Informações relacionadas a renda, vínculos profissionais e outras fontes complementares, especialmente relevantes para perfis que podem ter pouca informação nos modelos tradicionais;
  • Sinais financeiros atuais, que ajudam a complementar o histórico de crédito e reduzir pontos cegos na análise.

É assim que dados podem ajudar a tornar os clientes invisíveis mais visíveis, ampliando a capacidade de instituições e empresas de identificar oportunidades que antes poderiam passar despercebidas.

Amplie a visão sobre seus clientes e identifique novas oportunidades de crédito. Converse com o nosso time e descubra como combinar dados e infraestrutura para apoiar decisões mais completas.

 

FAQ: perguntas frequentes sobre comportamento financeiro

 

O que é comportamento financeiro?

Comportamento financeiro é a forma como uma pessoa administra e movimenta seus recursos. Na análise de crédito, pode incluir informações sobre transações, entradas de renda, gastos, pagamentos e outros padrões financeiros ao longo do tempo.

 

Por que o comportamento financeiro é importante para o crédito?

Porque pode complementar informações tradicionais, como score e histórico de crédito, trazendo uma visão mais atual e contextualizada da realidade financeira do consumidor.

 

Como o Open Finance ajuda na análise do comportamento financeiro?

O Open Finance permite, mediante consentimento do cliente, reunir informações de diferentes relacionamentos financeiros. Esses dados podem ajudar instituições e empresas a identificar padrões de movimentação, renda, gastos e outros sinais relevantes para a análise.

 

Quais dados podem complementar a análise de comportamento financeiro?

Além dos dados transacionais, diferentes fontes podem adicionar contexto à análise, como informações de renda, dados cadastrais, histórico de crédito e, em determinados casos, informações relacionadas a vínculos profissionais, remunerações e benefícios disponíveis em bases como o CNIS.

 

O comportamento financeiro pode ajudar clientes com pouco histórico de crédito?

Sim. Uma das possibilidades é complementar a falta de histórico tradicional com informações que mostrem como o consumidor administra seus recursos atualmente. Isso pode ajudar na avaliação de  perfis que seriam difíceis de analisar apenas com dados históricos.

 

Qual é a relação entre comportamento financeiro e inclusão financeira?

Ao ampliar a quantidade e a qualidade das informações utilizadas na análise de crédito, o comportamento financeiro pode ajudar instituições e empresas a avaliar diferentes perfis de consumidores e identificar oportunidades que poderiam passar despercebidas em modelos tradicionais.

 

O comportamento financeiro substitui o score de crédito?

Não necessariamente. A proposta é complementar os modelos existentes com novas informações. Score, histórico de crédito, dados de renda e comportamento financeiro podem ser analisados em conjunto para apoiar decisões mais contextualizadas.

 

Comportamento financeiro: o que você viu neste artigo

 

  • O comportamento financeiro amplia a visão sobre o consumidor, indo além do score e do histórico tradicional de crédito.
  • O Open Finance ajuda a entender como o dinheiro se movimenta, permitindo analisar informações de diferentes relacionamentos financeiros com o consentimento do cliente.
  • Os dados de INSS são um exemplo de fonte complementar, que pode ser combinada com informações transacionais para ajudar a construir uma visão mais completa do consumidor.
  • Clientes com pouco histórico também podem apresentar sinais de capacidade financeira, e novos dados podem ajudar a tornar esses perfis mais visíveis.
  • O comportamento financeiro pode acompanhar diferentes etapas da jornada de crédito, da originação à definição de limites e personalização de produtos.
  • O futuro do crédito passa por uma visão cada vez mais dinâmica do consumidor, combinando histórico, renda, transações e comportamento para apoiar decisões mais inteligentes.

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