O Open Finance no Brasil, que completou cinco anos em fevereiro de 2026, já reúne mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas (entre pessoas físicas e empresas) e 154 milhões de consentimentos ativos, segundo dados disponibilizados pelo próprio sistema. Entre 2024 e 2025, foi registrado crescimento de 143% na quantidade de consentimentos únicos (CPFs e CNPJs que compartilharam dados), evidenciando a rápida expansão da iniciativa no país, que hoje se consolida como o maior ecossistema de Open Finance do mundo.
Com a implementação estruturada em quatro fases, o país consolidou a base de compartilhamento de dados cadastrais e transacionais e avança na evolução da iniciação de pagamentos e da integração entre setores financeiros, posicionando o Brasil como uma referência global em infraestrutura financeira digital.
Neste artigo, trataremos sobre como o modelo brasileiro de Open Finance está impactando o mercado financeiro, os benefícios que traz para cliente e instituições e as principais características que tornam esse sistema uma referência global para o setor financeiro.
O que é Open Finance e para que serve?
O Open Finance, ou sistema financeiro aberto, é um modelo que possibilita que os clientes de produtos e serviços financeiros compartilhem suas informações de forma segura entre diferentes instituições financeiras, mediante prévia autorização.

Com a instituição do Open Finance, diferentes bancos e empresas podem acessar os dados dos clientes, o que tende a aumentar a concorrência. Isso porque eles podem oferecer serviços financeiros com melhores condições para atrair clientes de outras organizações.
Além disso, conforme as funcionalidades vão sendo ampliadas, o sistema aberto deve facilitar a vida dos clientes, permitindo que produtos financeiros de diferentes bancos sejam gerenciados em uma única plataforma, tornando o controle das finanças muito mais simples.
Inicialmente, o Banco Central citava a adoção do “Open Banking”. Posteriormente, o projeto evoluiu para Open Finance, que é um conceito muito mais amplo. Assim, a possibilidade de compartilhar informações passou a abranger não só bancos, mas também outras instituições financeiras, como corretoras e empresas de crédito.
Embora o BC tenha anunciado a mudança na nomenclatura, muitas instituições do setor e da imprensa seguem utilizando Open Banking para designar o projeto. Portanto, é possível que o mercado permaneça usando os dois termos, ao menos por algum tempo.
Open Banking, o “banco aberto”
Para a diferença ficar bem clara, o Open Banking é um modelo que propõe a abertura do sistema bancário e o compartilhamento, mediante consentimento, de informações dos usuários entre diferentes instituições. No modelo pré-Open Banking, os dados dos clientes são de posse exclusiva das instituições bancárias, que detêm a conta ou o produto ofertado.
A ideia do “banco aberto”, na tradução literal do termo em inglês, é permitir que os clientes movimentem as suas contas por meio de diferentes plataformas e migrem com mais facilidade de um banco para outro, levando consigo todo o histórico de contratação de produtos financeiros e relacionamento.
A principal referência de Open Banking foi o sistema do Reino Unido, que teve o seu pontapé oficial em 2018, registrando em fevereiro de 2026 mais de 16,5 milhões de usuários mensais, além do aumento de 50% em relação ao ano anterior nos pagamentos Open Banking. Os dados são da Open Banking Implementation Entity.
Open Finance e a inclusão de fintechs e players de outros mercados
Como mencionamos, o conceito de Open Finance é mais amplo: trata-se, de fato, da abertura do sistema financeiro como um todo.
Isso significa que, além dos bancos, outras organizações do mercado também podem compartilhar informações e serviços. Ou seja, esse modelo possibilita não somente um fluxo de dados entre bancos e fintechs, mas também entre outros players que oferecem serviços financeiros — varejistas, seguradoras e corretoras de seguros, indústrias, companhias de câmbio, fundos de previdência, entre outros.
De acordo com os especialistas, podemos pensar, portanto, no Open Finance como uma evolução do Open Banking.
No Brasil, essa característica mais ampla tem um aspecto importante, pois contribui diretamente para a inclusão financeira, ao permitir a participação desses players que já possuem um relacionamento mais próximo com seus públicos – como o varejo – e que poderão estreitar ainda mais esses laços oferecendo soluções mais competitivas.
Qual a diferença entre Open Finance, Open Banking e Open Insurance?
Como mencionamos, o Open Banking foi o ponto de partida do sistema, focado na abertura e compartilhamento de dados entre bancos, sempre com consentimento do usuário. O objetivo era dar ao cliente mais controle e liberdade para comparar e contratar produtos financeiros em diferentes instituições.
Com a evolução para o Open Finance, esse modelo se expandiu e passou a incluir não só bancos, mas também corretoras, fintechs, seguradoras e outras empresas do setor financeiro. Isso ampliou as possibilidades de integração e personalização dos serviços, tornando o sistema mais inclusivo e eficiente.
Já o Open Insurance, como o nome indica, é voltado especificamente para o setor de seguros. Ele segue a mesma lógica de compartilhamento seguro e autorizado de dados, permitindo que o consumidor compare coberturas, preços e contrate serviços de forma mais transparente.
Juntos, esses três modelos compõem uma nova era do sistema financeiro, mais aberta, conectada e centrada no usuário.
Quem participa do Open Finance no Brasil?
O Open Finance no Brasil reúne diversos tipos de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, como bancos, fintechs, seguradoras, corretoras, cooperativas de crédito, empresas de câmbio e fundos de previdência.
Cada uma delas tem um papel específico no ecossistema, seja como fornecedora, receptora ou organizadora de dados, sempre com o consentimento do usuário.
Enquanto bancos e cooperativas compartilham informações sobre contas, transações e crédito, fintechs podem utilizar esses dados para oferecer soluções digitais inovadoras e personalizadas.
Já seguradoras e corretoras ampliam o alcance do sistema ao integrar produtos como seguros e investimentos, tornando a experiência financeira mais completa, integrada e competitiva.
Como o Open Finance funciona na prática?
O Open Finance utiliza tecnologias como APIs para consolidar dados financeiros de várias fontes em uma única plataforma, oferecendo uma experiência integrada e personalizada. Essa integração permite que aplicativos financeiros interajam com diversos sistemas, proporcionando maior conveniência ao usuário.
Todo o processo é regulado pelo Banco Central do Brasil, garantindo segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei do Sigilo Bancário. Isso significa que as informações dos clientes só serão compartilhadas entre as organizações que participam do sistema e com autorização dos usuários.
Como aderir ao Open Finance: passo a passo para o consumidor
Para participar do Open Finance, o usuário deve autorizar explicitamente o compartilhamento de seus dados financeiros.
O processo começa com a solicitação de inclusão no sistema, realizada pelo site ou aplicativo da instituição financeira. Em seguida, o usuário decide quais dados compartilhar, com quais instituições e por quanto tempo. A autenticação é feita via login na conta bancária. A confirmação é realizada pela instituição receptora, assegurando que o controle dos dados permaneça com o usuário.
A autorização é limitada a prazos e finalidades específicos, permitindo que o usuário compartilhe dados conforme sua necessidade.
Open Finance é seguro? Entenda como seus dados são protegidos
No Open Finance, o compartilhamento de dados é totalmente voluntário: você escolhe se quer participar, quais informações deseja compartilhar e com quais instituições. Isso garante mais transparência e controle para o usuário.
A proteção dos dados é feita em várias camadas, com tecnologias como criptografia, autenticação por biometria, tokenização e senha, além de monitoramento antifraude. Tudo isso segue as regras da LGPD e é fiscalizado pelo Banco Central.
As instituições participantes também aplicam sua experiência em segurança do mercado financeiro e oferecem canais de atendimento especializados. Assim, o usuário tem suporte e proteção em todas as etapas do processo.
A tecnologia por trás do Open Finance
O funcionamento do Open Finance depende principalmente da integração entre sistemas por meio de APIs, que permitem a troca padronizada e segura de informações entre instituições participantes.
Essas integrações seguem padrões definidos pelo Banco Central e incluem múltiplas camadas de proteção, como criptografia de dados, autenticação forte, tokenização e monitoramento antifraude. Esse conjunto de tecnologias garante que o compartilhamento de informações aconteça apenas quando autorizado pelo usuário.
Na prática, essa infraestrutura tecnológica é o que possibilita a criação de experiências financeiras mais integradas, digitais e personalizadas.
Open Finance: modelo brasileiro é um dos mais completos do mundo
O modelo brasileiro de Open Finance avança a passos largos, o que coloca o Brasil em posição de liderança mundial nesse quesito. É o que já apontava anteriormente o Global Open Finance Index, relatório feito pela Open Banking Excellence (OBE) em parceria com a Universidade de Oxford.
Confirmando o sucesso da estratégia, pesquisa da Febraban mostra que, com o avanço do Open Finance, os bancos têm usado dados dos clientes para criar ofertas mais personalizadas, o que impulsionou um crescimento de 116% no volume de chamadas de APIs em 2024, em comparação com 2023.
A maioria dessas chamadas (99%) está concentrada na fase 2 do sistema, que envolve dados cadastrais e transacionais, principalmente sobre contas, recursos, cartões de crédito e consentimentos.
O ranking de uso também mostra aumento nas chamadas relacionadas a fundos de investimento, renda fixa, variável e Tesouro Direto, indicando que o ecossistema está amadurecendo e os clientes estão mais confiantes em compartilhar suas informações financeiras com diferentes instituições.
Diferenciais do nosso sistema
Sem dúvida, um dos pontos de inovação do modelo brasileiro está na abrangência do Open Finance, que vai além do Open Banking ao incluir não apenas instituições bancárias, mas também outros players do mercado financeiro. Essa amplitude contribui para a inclusão financeira e aumenta a competitividade entre as empresas, impulsionando a criação de soluções financeiras mais inovadoras e acessíveis.
Outro ponto é que o modelo foi pensado para oferecer segurança para a jornada do usuário em todas as suas etapas. Essa garantia é dada pela regulamentação do BC, que assegura o cumprimento da legislação referente à proteção de dados.
Dessa forma, as informações só são compartilhadas com o consentimento do usuário, reforçando a confiança no sistema e incentivando sua adoção por um número crescente de consumidores e empresas.
O que o Open Finance traz para os usuários de serviços financeiros
Considerando que nosso modelo de Open Banking atua, sobretudo, no sentido de ampliar e melhorar a experiência do cliente, podemos citar como benefícios do Open Finance para o usuário final fatores como:
- Poder de decisão sobre como suas informações pessoais e seu histórico financeiro são utilizados;
- Portabilidade de dados de uma instituição para outra, possibilitando customização dos serviços;
- Possibilidade de movimentar contas e integrar soluções a partir de plataformas diferentes;
- Liberdade e autonomia para migrar de forma simples ou adquirir produtos ou serviços de outras instituições com menos burocracia;
- Melhor experiência no atendimento e na contração de serviços.
Porém, além dessas vantagens para o público em geral, o Open Finance traz boas perspectivas quanto à competitividade dos negócios no mercado financeiro. Inclusive, a previsão é que junto ao Pix, o modelo contribua de forma importante para impulsionar a economia, simplificando transações e promovendo a integração entre sistemas financeiros.
Neste vídeo do canal oficial do Banco Central no YouTube, há uma explicação rápida e prática que ajuda a entender a iniciativa:
Mitos e verdades sobre o Open Finance
O Open Finance ainda gera dúvidas sobre segurança, privacidade e controle de dados. Confira alguns dos principais mitos e verdades sobre o tema:
Mito ou verdade: qualquer empresa pode acessar meus dados financeiros?
Mito. Apenas instituições participantes autorizadas pelo Banco Central podem acessar dados, e somente com consentimento prévio do usuário. Essas instituições devem seguir regras rigorosas de segurança e proteção de dados.
Mito ou verdade: não tenho controle sobre quais dados compartilho?
Mito. O usuário decide quais informações deseja compartilhar, com quais instituições e por quanto tempo. O controle dos dados permanece sempre com o cliente.
Mito ou verdade: depois de autorizar, não posso cancelar o compartilhamento?
Mito. O consentimento pode ser revogado a qualquer momento pelo aplicativo ou site da instituição em que a autorização foi feita. O cancelamento é simples e imediato.
Mito ou verdade: o Open Finance não é seguro?
Mito. O sistema segue padrões elevados de segurança, incluindo criptografia, autenticação forte e certificação digital, além de regras definidas pelo Banco Central.
Mito ou verdade: o Open Finance está alinhado à LGPD?
Verdade. Todo o ecossistema opera em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a proteção e a privacidade das informações financeiras dos usuários.
Desafios e desvantagens do Open Finance
Apesar dos avanços, o Open Finance ainda enfrenta desafios importantes. A complexidade do sistema e o grande volume de dados exigem investimentos constantes em tecnologia e padronização para garantir uma experiência fluida e segura para todos os usuários.
Outro ponto é a necessidade de educação financeira e digital. Muitos consumidores ainda não compreendem totalmente como o sistema funciona, o que pode gerar dúvidas ou uso inadequado das permissões de compartilhamento de dados.
Por fim, há o risco do uso indevido de informações, caso instituições não sigam as regras com rigor. Por isso, a fiscalização do Banco Central, a aplicação da LGPD e a transparência no consentimento são essenciais para manter a confiança e ampliar a adesão ao Open Finance.
Agenda evolutiva do Open Finance no Brasil
O Open Finance foi lançado no Brasil em fevereiro de 2021 e, desde então, segue um cronograma de implementação dividido em quatro fases.
Atualmente, estamos na Fase 4, que amplia o escopo de dados e serviços disponíveis para compartilhamento. Nessa etapa, passam a ser inseridos os segmentos de seguros e previdência, o chamado Open Insurance, e investimentos, conhecido como Open Investment.
Iniciada em dezembro de 2021, esta fase tem evoluído no sentido de possibilitar a personalização de produtos, com destaque para o início da portabilidade de crédito a partir de 2026.
Veja o que já é possível fazer no Open Finance e as evoluções que devem trazer mais opções e flexibilidade para os consumidores no sistema financeiro:
Compartilhamento de dados de produtos e serviços financeiros
O Open Finance começou com as instituições financeiras compartilhando informações sobre seus canais de atendimento e produtos tradicionais, como contas e cartões. Depois, foram incluídos dados sobre câmbio, seguros, previdência, investimentos e credenciamento, mas sem envolver dados pessoais de clientes.
Esses dados são abertos e podem ser usados por desenvolvedores para criar ferramentas, como comparadores de tarifas bancárias e de cartões, ajudando as pessoas a escolherem as melhores opções financeiras.
Compartilhamento de dados cadastrais e transacionais
Pessoas e empresas já podem solicitar o compartilhamento de seus dados cadastrais, transações bancárias, informações de cartão de crédito e produtos de investimento, como CDB, LCI e ações. Esse compartilhamento acontece apenas entre instituições participantes do Open Finance e com autorização do cliente, que pode cancelar a qualquer momento.
Em breve, também será possível compartilhar dados sobre câmbio, seguros e previdência.
Iniciação de transação de pagamento no ambiente de Open Finance
Já é possível fazer pagamentos no Open Finance, começando com o Pix. Outras formas, como débito em conta, serão adicionadas com o tempo. Isso permitirá que os clientes façam pagamentos de maneira mais rápida e prática, como em lojas virtuais, sempre com segurança.
Com a evolução da iniciação de pagamentos dentro do Open Finance, os Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs) tendem a ganhar um papel cada vez mais estratégico na infraestrutura de pagamentos digitais. Essa tecnologia permite integrar pagamentos diretamente a jornadas digitais, como checkouts de e-commerce, aplicativos de gestão financeira, plataformas de serviços e sistemas empresariais, reduzindo fricções e dependência de intermediários tradicionais.
Na prática, o ITP ajuda a transformar o Open Finance de um sistema focado apenas em compartilhamento de dados para uma infraestrutura transacional, capaz de viabilizar novos modelos de pagamento e experiências financeiras mais integradas.
Interoperabilidade com Open Insurance
O Open Insurance (Opin) é um sistema de seguros aberto criado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), similar ao Open Finance do Banco Central. A ideia é que esses dois sistemas possam se conectar e trocar informações, tornando mais fácil e vantajoso para os usuários acessarem dados e serviços de ambos os ambientes.
Essa integração está na terceira e última fase de implementação. O esforço atual da Susep concentra-se nas ferramentas de interação das instituições envolvidas e das Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (Spocs), que atuarão como iniciadoras das transações, e na definição da governança efetiva do sistema.
Encaminhamento de proposta de operação de crédito
Faz parte da agenda evolutiva do Open Finance o desenvolvimento de soluções para receber propostas de crédito. O objetivo é facilitar o acesso a esses serviços, permitindo comparar diferentes ofertas e escolher a opção mais vantajosa. O compartilhamento de dados, nesse caso, só ocorre com autorização prévia e específica do cliente.
Casos de uso práticos do Open Finance para empresas
O Open Finance já permite aplicações concretas para empresas de diferentes setores. Um dos exemplos mais relevantes é a otimização do fluxo de caixa, já que o compartilhamento de dados financeiros possibilita uma visão consolidada das contas e recebíveis em diferentes instituições.
Outro uso importante é a análise de crédito mais precisa, baseada no histórico financeiro autorizado pelo cliente, o que reduz riscos e amplia o acesso a crédito. Além disso, o sistema facilita a conciliação de contas a receber, automatizando processos e diminuindo erros operacionais.
Com mais dados e integração, empresas também podem desenvolver produtos financeiros personalizados, como ofertas de crédito sob medida, seguros e soluções de pagamento integradas à jornada do cliente.
Open Finance e a transformação do sistema financeiro
O Open Finance tem tudo para gerar mudanças significativas na economia e na própria sociedade brasileira, trazendo inclusão ao sistema financeiro. A expectativa é de que o consumidor tenha acesso a uma nova forma de se relacionar com instituições financeiras e suas soluções, usufruindo de maior liberdade na escolha de serviços e produtos e melhor experiência de uso.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chegou até mesmo a comparar o novo sistema financeiro à internet e as mudanças que trouxe nesses últimos anos.
Essas transformações já são sentidas pela maioria das instituições financeiras participantes, que considera que o principal benefício do Open Finance é o amplo acesso aos dados. Além disso, 33% delas destacam também a criação de novos serviços financeiros, enquanto 25% apontam a portabilidade dos dados e outros 25% ressaltam os benefícios para os consumidores, conforme apontam os dados da Febraban.
É fato que essa revolução está profundamente ligada à Data Economy, permitindo que o compartilhamento seguro de informações financeiras crie novos modelos de negócios. Assim como fortalece a infraestrutura digital, essencial para o crescimento da economia baseada em dados no Brasil.
O futuro do Open Finance no Brasil
O futuro do Open Finance no Brasil aponta para uma transformação ainda mais profunda no sistema financeiro nacional, com maior inclusão, competitividade e personalização de serviços.
Com a última fase de implementação em andamento, o modelo passa a integrar dados de seguros, previdência e investimentos, abrindo espaço para que fintechs, varejistas, seguradoras e outros players ampliem seu papel no ecossistema.
Essa ampliação não apenas diversifica as opções para o consumidor, como fortalece a interoperabilidade entre diferentes setores financeiros, promovendo uma experiência mais integrada, segura e conveniente para o usuário final.
A expectativa é que, assim como o Pix, o Open Finance se consolide como uma infraestrutura essencial para a economia digital brasileira.
Nos próximos anos, espera-se que o Open Finance continue evoluindo em três frentes principais: mais inovação nos serviços, maior controle do usuário sobre seus dados e expansão da interoperabilidade entre plataformas.
O impacto do Open Finance no setor de pagamentos
O Open Finance está transformando a cadeia de pagamentos ao permitir que novas instituições participem diretamente da iniciação de transações financeiras, reduzindo intermediários e aumentando a eficiência das operações.
Esse movimento abre espaço para experiências de pagamento mais simples, rápidas e integradas ao cotidiano digital dos consumidores.
Com a evolução do ecossistema, os pagamentos deixam de acontecer apenas dentro dos aplicativos bancários e passam a fazer parte de jornadas digitais mais amplas, como compras online, aplicativos de serviços e plataformas financeiras. Essa integração torna as transações mais rápidas, convenientes e alinhadas às novas expectativas dos usuários.
Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs): a nova camada dos pagamentos digitais
Entre as principais inovações viabilizadas pelo Open Finance estão os Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs), sistemas autorizados a iniciar pagamentos diretamente da conta do cliente, sempre mediante consentimento.
Na prática, o ITP funciona como uma ponte entre o ambiente onde a transação acontece e a instituição financeira que executa o pagamento, eliminando a necessidade de redirecionamento para o aplicativo do banco. Isso torna a experiência mais fluida e, em muitos casos, mais econômica do que métodos tradicionais.
Com o avanço do Open Finance e a expansão da iniciação de pagamentos, os ITPs tendem a assumir um papel cada vez mais relevante na infraestrutura de pagamentos digitais, viabilizando novas experiências financeiras integradas, automatizadas e centradas no usuário.
Como a Dock impulsiona a iniciação de pagamentos
A Dock se posiciona como uma habilitadora de inovação ao oferecer infraestrutura tecnológica que simplifica a integração ao Open Finance e à iniciação de pagamentos. Nossa solução de ITP elimina a complexidade regulatória, técnica e operacional, permitindo que empresas integrem rapidamente novas funcionalidades e acelerem o lançamento de experiências financeiras digitais.
A infraestrutura escalável da Dock, baseada em múltiplos serviços financeiros, viabiliza:
- Jornadas de cobrança mais inteligentes;
- Transferências automáticas entre contas do mesmo titular;
- Pagamentos integrados a serviços;
- Uso estratégico de dados financeiros autorizados para ampliar o conhecimento do cliente.
Ao combinar o potencial do Open Finance com nossa expertise em pagamentos e banking, contribuímos para experiências mais fluidas, seguras e centradas no usuário final.
Quer acelerar sua estratégia de Open Finance e iniciação de pagamentos? Fale com o nosso time e descubra como simplificar essa jornada.
Glossário essencial de Open Finance
Para facilitar a compreensão do ecossistema de Open Finance, reunimos abaixo alguns termos importantes que aparecem com frequência quando falamos sobre compartilhamento de dados financeiros e iniciação de pagamentos.
- API (Application Programming Interface): tecnologia que permite a comunicação segura entre sistemas diferentes, possibilitando o compartilhamento de dados entre instituições financeiras autorizadas.
- Consentimento: autorização dada pelo usuário para que seus dados financeiros sejam compartilhados entre instituições participantes do Open Finance por um período determinado.
- Instituição transmissora: a instituição financeira que envia os dados, mediante autorização do cliente.
- Instituição receptora: a instituição financeira que recebe os dados compartilhados para oferecer produtos ou serviços ao usuário.
- Iniciador de pagamento (ITP): tecnologia utilizada para iniciar pagamentos diretamente da conta do cliente, com consentimento, sem que seja necessário acessar o aplicativo do banco.
- LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados): lei brasileira que define regras para coleta, armazenamento e compartilhamento de dados pessoais, garantindo mais transparência e proteção ao usuário.
- Open Banking: compartilhamento padronizado de dados e serviços relacionados a contas, pagamentos e crédito entre instituições financeiras.
- Open Insurance: compartilhamento de dados e serviços no setor de seguros, permitindo ofertas mais personalizadas e competitivas.
- Open Investment: compartilhamento de dados financeiros voltado a investimentos, facilitando a portabilidade de informações e a comparação de produtos financeiros.
- Tokenização: processo de segurança que substitui dados sensíveis por códigos criptografados (tokens), reduzindo riscos de fraude e exposição de informações.
FAQ: principais dúvidas sobre Open Finance
Open Finance é obrigatório?
Para as grandes instituições financeiras (os grandes bancos, classificados como S1 e S2 pelo Banco Central), a participação é obrigatória: elas devem disponibilizar a infraestrutura para compartilhar dados. Já para o cliente (você ou sua empresa), o Open Finance é totalmente voluntário.
Quais tipos de dados podem ser compartilhados no Open Finance?
O escopo é amplo e vai além da conta corrente. Podem ser compartilhados dados cadastrais (nome, endereço, renda), dados transacionais (extrato de conta, faturas de cartão de crédito), informações sobre operações de crédito (empréstimos e financiamentos), além de dados sobre investimentos, seguros, previdência e câmbio.
O Open Finance permite fazer pagamentos?
Sim. O Open Finance não serve apenas para “ler” dados, mas também para realizar ações. Através da Iniciação de Pagamentos, é possível, por exemplo, autorizar que uma compra ou transferência Pix seja feita diretamente no ambiente de uma loja ou aplicativo, sem precisar abrir o app do seu banco para autenticar a transação.
Posso usar Open Finance sendo pessoa jurídica (PJ)?
Sim, e é altamente recomendado. Empresas podem usar o Open Finance para centralizar a gestão de fluxo de caixa (visualizando saldos de vários bancos em um único lugar) e, principalmente, para conseguir melhores taxas de empréstimo e capital de giro, permitindo que novas instituições analisem o histórico financeiro real do negócio.
Compartilhar dados no Open Finance melhora meu acesso a crédito?
Tem um enorme potencial para melhorar. Ao compartilhar histórico, o usuário acaba com a assimetria de informação. Se o cliente é um bom pagador em um banco, mas pede crédito em outro no qual não tem conta, o Open Finance permite que essa nova instituição analise o comportamento financeiro e ofereça taxas de juros e limites baseados na realidade e não apenas em uma pontuação genérica.
O Open Finance pode aumentar golpes ou fraudes?
Pelo contrário, o sistema foi desenhado para ser mais seguro que os métodos tradicionais. Todo o compartilhamento ocorre em ambiente autenticado e criptografado, regulado pelo Banco Central. O Open Finance elimina a prática insegura de “screen scraping” (quando o usuário tinha que passar a senha do banco para um aplicativo terceiro).
Quais instituições podem participar do Open Finance?
Apenas instituições autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. Isso inclui bancos, fintechs, instituições de pagamento, cooperativas de crédito e organizações de iniciação de pagamento. Nenhuma empresa “fora do sistema” pode acessar esses dados.
O que acontece se eu negar um pedido de compartilhamento?
Absolutamente nada. O usuário continua usando seus serviços bancários normalmente. A única consequência é deixar de aproveitar os benefícios daquele compartilhamento específico, como uma oferta de crédito personalizada ou uma gestão financeira integrada em um aplicativo.
Como as empresas e fintechs ganham dinheiro com o Open Finance?
As empresas ganham através da inteligência de dados e da eficiência. Com acesso ao histórico do cliente em outras instituições (via APIs da Dock, por exemplo), as empresas podem ofertar produtos muito mais assertivos e reduzir drasticamente a inadimplência na concessão de crédito, pois conseguem ver a capacidade real de pagamento do usuário.
O que são Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs)?
O ITP é uma tecnologia que conecta o usuário ao seu banco e simplifica a realização de pagamentos. Quando o cliente dá seu consentimento, o sistema envia ao banco a solicitação para fazer a transferência, funcionando como um mensageiro autorizado dentro do Open Finance.
Sem armazenar credenciais, manipular valores ou interferir no fluxo financeiro, o ITP atua como um verdadeiro “mordomo digital”: recebe a autorização, aciona o pagamento diretamente no banco e garante que tudo seja feito de forma automática e segura.
Quem pode acessar meus dados no Open Finance?
Apenas instituições participantes autorizadas pelo Banco Central, e somente com consentimento prévio do usuário. Essas instituições precisam seguir regras rígidas de segurança e proteção de dados.
Posso escolher quais dados compartilhar e com quem?
Sim. O usuário decide quais dados deseja compartilhar, com quais instituições e por quanto tempo. Isso garante que você tenha controle total sobre suas informações financeiras.
Como posso revogar o consentimento no Open Finance?
A qualquer momento, pelo aplicativo ou site da instituição em que autorizou o compartilhamento. O cancelamento é simples, rápido e sem burocracia.
O que acontece se meus dados forem vazados?
As instituições são obrigadas a seguir as regras da LGPD e podem ser responsabilizadas. Casos de vazamento devem ser investigados e comunicados às autoridades competentes.
O Open Finance está de acordo com a LGPD?
Sim. Todo o sistema é regulado pelo Banco Central e segue rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados. Além disso, utiliza tecnologias como criptografia e autenticação para garantir a segurança dos usuários.
Open Finance no Brasil: o que você viu nesse artigo
- Open Finance é um modelo de Sistema Financeiro Aberto mais amplo que o Open Banking, pois inclui, além das instituições bancárias, outros players como fintechs, corretoras de seguro, varejistas, indústrias, companhias de câmbio, fundos de previdência, entre outros.
- O Banco Central anunciou a substituição do nome do sistema em implementação no Brasil de Open Banking para Open Finance em razão da amplitude do modelo brasileiro, considerado um dos mais completos do mundo.
- Entre as vantagens do Open Finance para os consumidores, estão maior autonomia sobre seus dados pessoais e histórico financeiro, com a possibilidade de migrá-los para outra instituição. Isso resulta em soluções financeiras customizadas de menor burocracia.
- O Open Finance está transformando o sistema financeiro brasileiro, ampliando o acesso aos dados e permitindo que os consumidores tenham mais liberdade na escolha de serviços e produtos. Essa revolução está intimamente ligada à economia de dados, fortalecendo a infraestrutura digital e a criação de novos modelos de negócios.
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