O SaaS (Software as a Service) vem deixando de ser apenas um modelo eficiente de distribuição de software para se consolidar como uma camada estrutural da transformação digital em diversos setores da economia, especialmente naqueles em que tecnologia e operação caminham de forma indissociável, como os serviços financeiros. Em um cenário marcado por digitalização acelerada e necessidade constante de inovação, o software passou a ocupar um papel central na estratégia de crescimento, competitividade e inclusão financeira.
Esse movimento teve início com aplicações corporativas como CRMs e ERPs, mas evoluiu rapidamente para ambientes mais complexos, críticos e regulados. Isso porque o modelo de “assinar, integrar e escalar” tem se mostrado capaz de reduzir custos, acelerar lançamentos e aumentar a resiliência operacional.
Em um mercado dinâmico e heterogêneo como o da América Latina, a chegada do SaaS ao setor de serviços financeiros representa uma mudança estrutural profunda. Mais do que simplificar o consumo de tecnologia, o SaaS passa a sustentar a infraestrutura financeira, viabilizando novos modelos de negócio e ampliando o acesso a serviços e produtos financeiros.
Neste artigo, vamos explorar o conceito de SaaS sob a ótica dos serviços financeiros, os impactos diretos no fim dos sistemas legados e como esse modelo vem se consolidando como a base das finanças modulares e da inovação no setor.
Afinal, o que é SaaS e como ele funciona?
SaaS significa Software as a Service (na tradução livre, Software como Serviço). Nesse modelo, em vez de comprar licenças de software e instalar em servidores locais (o chamado “on-premise”), as aplicações ficam hospedadas na nuvem e podem ser acessadas diretamente de um navegador ou app. Dessa forma, os pilares do SaaS, via de regra, incluem:
- Acesso online: usuários podem acessar a aplicação de qualquer lugar, sem precisar instalar nada;
- Modelo de assinatura: empresas pagam uma mensalidade ou pagam por uso, reduzindo o investimento inicial;
- Atualização constante: a plataforma é sempre atualizada pelo fornecedor, sem necessidade de instalações manuais;
- Hospedagem em nuvem: escalabilidade e redundância garantem performance e disponibilidade.
Qual a diferença do SaaS para outros modelos de computação em nuvem?
O Software as a Service se diferencia de outros modelos de computação em nuvem porque elimina a necessidade de a empresa lidar com a complexidade tecnológica.
Por exemplo, no IaaS (Infrastructure as a Service), a organização utiliza a infraestrutura na nuvem, mas ainda precisa gerenciar servidores, sistemas operacionais e segurança. Já no PaaS (Platform as a Service), parte desse trabalho é reduzida, embora o desenvolvimento e a manutenção das aplicações continuem sob responsabilidade do cliente.
No SaaS, a empresa acessa diretamente a solução pronta para uso, enquanto toda a operação tecnológica, como infraestrutura, plataforma, atualizações e manutenção, fica a cargo do provedor.
Em outras palavras, o SaaS se consolida como o modelo mais simples, acessível e eficiente, permitindo que as empresas foquem no core business em vez de gerenciar tecnologia.
O apanhado histórico: a evolução do SaaS até os dias de hoje
A trajetória do SaaS reflete a própria evolução da tecnologia corporativa ao longo das últimas décadas, marcada pela transição de modelos fechados e altamente dependentes de infraestrutura local para arquiteturas distribuídas e baseadas em nuvem.
Compreender esse percurso ajuda a explicar por que o SaaS se tornou uma abordagem estratégica, inclusive para setores altamente regulados como o financeiro.
Era pré-SaaS
Até o início dos anos 2000, o software era vendido em mídias físicas (CDs, DVDs), e as empresas precisavam instalar e manter tudo em seus próprios servidores. Esse modelo de “on-premise” exigia grandes investimentos em hardware, equipes técnicas e gestão de atualizações.
A virada de chave
A Salesforce, no início dos anos 2000, foi uma das primeiras empresas a popularizar o conceito de SaaS comercial, oferecendo um CRM totalmente acessível pela internet. Inicialmente, muitas empresas resistiram em razão de preocupações com segurança, confiabilidade e medo de migrar para a nuvem.
A consolidação
Com a chegada e expansão de gigantes de nuvem como AWS, Google Cloud e Azure, o SaaS se tornou não só viável, como também seguro e escalável o suficiente para suportar até as aplicações mais críticas, incluindo aquelas usadas por instituições financeiras.
SaaS 2.0
Hoje, o SaaS está evoluindo para se tornar mais modular e conectado. Arquiteturas baseadas em APIs permitem integrar diferentes microserviços, criar soluções ainda mais customizadas e escalar com rapidez. Essa modularidade é fundamental para atender à constante necessidade de inovação do ecossistema financeiro.
SaaS no setor de banking e pagamentos: o fim do legado bancário
A indústria financeira tradicional foi construída sobre sistemas legados: mainframes, bancos de dados proprietários e processos internos que muitas vezes funcionam há décadas.
O problema é que esses sistemas são caros, lentos para atualizar e difíceis de integrar, o que constitui uma uma barreira para a inovação. O SaaS surgiu justamente como uma alternativa para mudar esse cenário.
A solução SaaS
O modelo SaaS permite que empresas financeiras acessem plataformas prontas, escaláveis e seguras diretamente pela internet, sem a necessidade de manter infraestrutura própria.
Essa mudança estrutural foi determinante para o surgimento e a expansão das fintechs que passaram a oferecer serviços e produtos financeiros digitais com mais agilidade e eficiência.
Na América Latina, esse movimento se refletiu em um crescimento exponencial do ecossistema: o número de fintechs saltou de pouco mais de 700 em 2017 para mais de 3.000 em 2023, um aumento de 340% em seis anos, segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Embora outros fatores também tenham impulsionado esse crescimento, como avanços regulatórios e mudanças no comportamento do consumidor, é fato que o SaaS facilitou a expansão das fintechs ao reduzir barreiras tecnológicas e permitir que novos players inovassem sem a complexidade dos sistemas legados.
Adaptação regulatória
O SaaS também tem sido essencial para lidar com um dos maiores desafios do setor financeiro: a adaptação a ambientes regulatórios complexos e em constante evolução.
Na América Latina, mudanças regulatórias frequentes exigem que plataformas tecnológicas sejam flexíveis e capazes de se ajustar rapidamente.
A implementação de sistemas de pagamentos instantâneos, como o Pix no Brasil, é um exemplo desse cenário.
Soluções baseadas em nuvem e no modelo SaaS permitem integrar novas regras, APIs e fluxos operacionais em prazos reduzidos e com conformidade regulatória, abrindo espaço para novas oportunidades de negócio.
Vantagens estratégicas de adotar o modelo SaaS
A adoção do modelo SaaS vai além de uma escolha tecnológica e se configura como uma decisão estratégica para instituições e negócios que atuam no setor de serviços financeiros. Ao transferir a complexidade da infraestrutura para a nuvem, esse modelo gera ganhos direto.
Escalabilidade
Diferente de sistemas tradicionais, que exigem novos servidores e investimentos físicos para crescer, o SaaS permite escalabilidade praticamente ilimitada sem grandes custos adicionais.
Time-to-market
Empresas financeiras hoje conseguem lançar novas ofertas (contas digitais, cartões pré-pagos ou de crédito, sistemas de pagamento) em meses, não anos, obtendo assim uma vantagem competitiva gigantesca.
Segurança e compliance
Ao migrar para um fornecedor SaaS confiável, grande parte da responsabilidade pela segurança passa para esse provedor, que possui certificações globais (como PCI DSS para pagamentos).
Redução de custo operacional
O modelo de assinatura substitui grandes investimentos de capital por custos operacionais previsíveis. Isso é especialmente importante para empresas que precisam controlar o fluxo de caixa em mercados emergentes.
Dados que comprovam a força do SaaS no setor de serviços financeiros
A consolidação do SaaS como modelo dominante de entrega de software pode ser observada, primeiro, em uma perspectiva macro. De acordo com um estudo da Business Research Insights, o mercado global de SaaS iniciou 2026 avaliado em US$ 311,26 bilhões e manterá uma trajetória acelerada de crescimento até alcançar aproximadamente US$ 1.110,39 bilhões em 2035.
Esse avanço representa uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 15,83%, evidenciando que o SaaS deixou de ser uma tendência pontual para se firmar como a base estrutural da transformação digital em diferentes setores da economia.

Esse movimento global se reflete de forma ainda mais clara quando analisamos setores intensivos em tecnologia e altamente regulados, como o de banking e serviços financeiros.
No Brasil, um relatório de 2025 da Research and Markets aponta que o mercado de SaaS em nuvem aplicado a serviços financeiros já está avaliado em US$ 3,5 bilhões, considerando uma análise histórica de cinco anos.
O estudo também projeta que 70% das instituições financeiras brasileiras passarão a utilizar serviços em nuvem, um crescimento significativo em relação à estimativa anterior de 50%, impulsionado pela busca por maior flexibilidade de infraestrutura, eficiência operacional e melhores capacidades de gestão de dados.
Além disso, o relatório destaca informações do Banco Central do Brasil, segundo as quais a adoção de soluções em nuvem pode gerar uma redução de custos operacionais de até R$ 1,8 milhão por ano para bancos de médio porte.
O futuro do SaaS e as finanças modulares
O SaaS não representa o ponto final da transformação digital no setor financeiro, mas sim a base sobre a qual novas arquiteturas mais flexíveis e modulares estão sendo construídas.
Portanto, à medida que a infraestrutura financeira se torna mais componível e orientada por APIs, outros movimentos ganham protagonismo e ajudam a definir os próximos passos da inovação no setor.
Embedded Finance
Com o SaaS, empresas de diferentes segmentos podem integrar serviços financeiros diretamente aos seus produtos e jornadas digitais, sem a necessidade de se tornarem bancos por meio do Embedded Finance.


Varejistas, plataformas de logística ou aplicativos de mobilidade, por exemplo, passam a oferecer contas digitais, crédito ou seguros de forma integrada à experiência do usuário.
IA integrada ao SaaS
À medida que plataformas SaaS começam a incorporar Inteligência Artificial de forma nativa, amplia-se sua capacidade de gerar valor. Isso permite desde a prevenção de fraudes em tempo real até a personalização de ofertas de crédito com base em dados comportamentais, tornando os serviços financeiros mais eficientes, seguros e centrados no usuário.
Essa convergência entre SaaS, modularidade e IA tende a acelerar a criação de modelos de negócio mais ágeis e preparados para responder às demandas de um mercado em constante transformação.
Dock e SaaS: reposicionando a infraestrutura financeira
A Dock possui um portfólio que visa oferecer uma infraestrutura financeira completa, modular e escalável, capaz de atender diferentes modelos de negócio e níveis de maturidade digital.
Nossas soluções estão estruturadas em dois pilares complementares, SaaS e BaaS (Banking as a Service), que apoiam a criação e a evolução de serviços financeiros na América Latina.
SaaS: tecnologia financeira como serviço
No pilar SaaS, por meio da plataforma Dock One, a Dock entrega soluções tecnológicas especializadas, prontas para uso e operadas integralmente na nuvem, permitindo que empresas acessem capacidades financeiras críticas sem manter infraestrutura própria. O portfólio SaaS contempla:
- Cards: plataforma completa para emissão e processamento de cartões, com Bin Sponsor e suporte a cartões pré-pagos e débito, crédito, multibenefícios, private label e global.
- Credit: motor de decisão e gestão de operações de crédito, automatizando análises e ciclos de concessão.
- Risks: antifraude transacional e comunicação multicanal integradas à jornada financeira.
BaaS: infraestrutura bancária modular
No pilar BaaS, a Dock oferece uma infraestrutura bancária modular que permite às empresas criar e operar serviços financeiros de ponta a ponta. O portfólio BaaS inclui:
- Banking: conta digital, Pix, boleto, marketplace de vouchers, Open Finance, pagamento de contas, transferências P2P e TED.
- Acquiring: modelo Acquiring as a Service para captura e processamento de transações.
- Credit: soluções como bancarização, capital de giro, cartão de crédito, empréstimo pessoal, veículos, antecipação de FGTS e consignado.
- Risks: background check e autenticação biométrica para reforço de segurança e compliance.
Infraestrutura pensada para escalar inovação
Ao integrar SaaS e BaaS em uma arquitetura baseada em nuvem e APIs, a Dock auxilia empresas a evoluírem operações financeiras completas, com agilidade, segurança e conformidade regulatória.
Conheça as soluções da Dock e descubra como estruturar serviços financeiros com mais agilidade, segurança e escala. Fale com nosso time comercial e entenda como a tecnologia pode impulsionar a inovação do seu negócio.
FAQ: principais dúvidas sobre SaaS e serviços financeiros
O modelo SaaS é seguro para bancos e fintechs?
Sim. As plataformas SaaS financeiras modernas são construídas com redundância, criptografia de ponta a ponta e conformidade com normas rigorosas (como a LGPD e o PCI DSS). Muitas vezes, a segurança de um provedor SaaS especializado é superior a de um servidor local de uma empresa pequena ou média.
Qual a diferença entre SaaS e Banking as a Service (BaaS)?
O SaaS é o modelo de entrega do software (como a tecnologia é distribuída). O BaaS é o serviço de negócio que utiliza o modelo SaaS para entregar licenças bancárias, liquidação e contas. Na Dock, entregamos ambos: a tecnologia (SaaS) e o suporte operacional/regulatório.
O SaaS pode ser personalizado para a minha marca?
Com certeza. Através de APIs e soluções white label, você usa a robustez do SaaS na infraestrutura, mas a interface, as regras de negócio e a marca são totalmente suas.
Como é feita a precificação em um modelo SaaS financeiro?
Geralmente é baseada no sucesso e no uso: um valor por conta aberta, por transação processada ou por volume de cartões emitidos. Isso alinha os interesses: o provedor só ganha se o cliente crescer.
SaaS: o que você viu neste artigo
- O SaaS deixou de ser apenas um modelo de software e passou a funcionar como base estrutural da inovação no setor financeiro;
- A substituição de sistemas legados por plataformas em nuvem reduziu custos, aumentou a velocidade de lançamento e facilitou integrações;
- A capacidade de escalar com segurança e atender exigências regulatórias tornou o SaaS especialmente relevante na América Latina;
- A integração de APIs e inteligência artificial sobre plataformas SaaS aponta para um futuro financeiro mais flexível, conectado e centrado no usuário;
- Do ponto de vista estratégico, o SaaS permite que empresas financeiras foquem no core do negócio, delegando tecnologia, segurança e escalabilidade a provedores especializados;
- Como resultado, o modelo acelera a inovação, reduz barreiras de entrada e amplia o acesso a serviços financeiros digitais de forma sustentável.
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