Febraban Tech 2026: 7 movimentos que estão redesenhando o futuro do setor financeiro
A inteligência artificial está inaugurando uma nova fase no setor financeiro. No Febraban Tech 2026, realizado de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o debate avançou da IA generativa para o uso de agentes inteligentes, capazes de atuar de forma mais autônoma e participar da transformação de processos, decisões e experiências.
Com o tema “Agentes inteligentes, liderança humana”, a edição deste ano colocou em evidência a colaboração entre pessoas e agentes de IA, além de discussões sobre Open Finance, meios de pagamentos, identidade digital, cibersegurança, cloud, dados e novas infraestruturas financeiras.
A Dock mais uma vez esteve presente no evento acompanhando de perto essas transformações. Neste artigo, reunimos sete pautas que ajudam a decifrar os próximos passos da inovação financeira e o impacto que podem ter na forma como o mercado cria experiência, serviços e produtos financeiros.
7 temas do Febraban Tech 2026 que revelam para onde caminha o setor financeiro
1. Da “selva analógica” à IA: a virada dos grandes bancos
O painel de abertura do Febraban Tech 2026 reuniu os líderes dos principais bancos do país para discutir os movimentos que estão transformando o setor. Nesta edição, a inteligência artificial ocupou o centro da conversa.
Um dos sinais mais fortes da transformação tecnológica veio da Caixa Econômica Federal. O presidente da instituição, Carlos Vieira, relembrou o cenário de três anos atrás, quando descreveu a Caixa como uma “selva analógica”, marcada por sistemas legados e processos fragmentados, e destacou o avanço da utilização da IA em processos como onboarding, atendimento e, principalmente, na digitalização e simplificação de processos relacionados ao crédito.
A fala mostra que, para além dos bancos digitais, a IA já está acelerando a transformação estrutural das instituições tradicionais, inclusive em operações de grande escala e impacto social.
2. A IA muda a forma de trabalhar, e a governança é fundamental nesse processo
Se o painel de abertura mostrou a IA ganhando espaço na operação dos bancos, um segundo movimento aparece na forma como as empresas estão se organizando para incorporar a tecnologia.
O desafio agora é criar espaço para experimentação sem perder controle. A ideia de centralizar a governança e descentralizar a inovação permite que diferentes áreas testem aplicações, enquanto regras comuns garantem segurança e consistência.

Marcelo Alvarenga (Anthropic), Eduardo Marcinari (AWS) e Daniel Peralles (Dock) durante painel no Febraban Tech 2026
A velocidade também se torna vantagem competitiva. No painel “IA em Ação: pessoas, processos e produtos na nova era financeira”, realizado na Partner Arena by Dock, no estande da Dock, Eduardo Marcinari, Head of Sales for Financial Services da AWS, destacou que “as empresas não têm três anos para transformar seus negócios, enquanto uma organização planeja, concorrentes já podem estar testando e colocando soluções financeiras em prática”.
Muito além de adotar IA, as empresas precisam criar uma estrutura que permita experimentar, aprender e escalar com responsabilidade.
3. Além da proteção: a cibersegurança como investimento estratégico
A expansão da IA, dos pagamentos digitais e das novas infraestruturas financeiras também amplia os desafios de segurança e gestão de riscos do setor. No Febraban Tech 2026, cibersegurança apareceu como uma das prioridades centrais dos bancos.
A importância do tema foi reforçada pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, que mostrou que as instituições devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, com segurança apontada como prioridade por 100% dos bancos pesquisados.
A mudança de perspectiva coloca a segurança além da camada de proteção, atuando como parte da própria estratégia de inovação. Com IA sendo usada tanto para defesa quanto por criminosos para sofisticar ataques, proteger identidade, dados e transações se torna condição para ampliar novos serviços.
4. Contas laranjas migram para a PJ e fraude passa a ser questão de comportamento
No painel “Contas Laranja 2.0: a nova infraestrutura da fraude financeira”, que integrou a programação principal do Febraban Tech 2026, Thiago Cunha, VP de Trust, Security & Financial Crime para a América Latina da Dock, mostrou como o avanço dos controles sobre contas PF tem levado fraudadores a explorar as contas PJ.

Thiago Cunha durante palestra na agenda oficial do Febraban Tech
“As marcações de fraude em PJ já superaram as de PF”, sinalizou Cunha, e “nesse contexto, identificar apenas o titular da conta não é suficiente. A análise precisa considerar também como a conta se comporta, observando movimentações, padrões e desvios em relação ao perfil esperado”.
A prevenção à fraude avança, assim, de uma lógica baseada apenas na identidade para uma análise cada vez mais contextual e comportamental das movimentações financeiras.
Confira a palestra completa no vídeo:
5. Tokenização entra de vez na agenda do mercado
A tokenização começa a deixar o campo dos experimentos e a ganhar espaço na discussão sobre a evolução da infraestrutura dos mercados financeiros. No Febraban Tech 2026, o tema esteve ligado ao avanço dos ativos digitais e da regulação.
No painel sobre tokenização, Mardilson Queiroz, chefe do Departamento de Regulação do Banco Central, destacou que a evolução da tokenização ainda traz desafios regulatórios e de infraestrutura, especialmente à medida que diferentes tipos de ativos passam a ser representados em ambientes digitais.A discussão mostrou que, para a tecnologia ganhar escala, é preciso desenvolver a infraestrutura, mas também definir responsabilidades, regras de custódia e mecanismos de proteção.
O movimento indica que a tokenização começa a avançar da experimentação para uma agenda concreta de infraestrutura e regulação do mercado financeiro.
6. Dados reais começam a redesenhar o crédito
No painel “Clientes invisíveis: como dados de INSS e Open Finance mudam a jornada de crédito”, Rodrigo Franciscani, Head de Vendas da Belvo, Henrique Nadal, Product Director da Dock, e Armando Junior, Strategic Alliances & Product Risk Director da Dock, discutiram como novos dados podem tornar a análise de crédito mais precisa.

Rodrigo Franciscani (Belvo), Henrique Nadal (Dock) e Armando Junior (Dock) durante painel no Febraban Tech 2026
Renda atualizada, histórico de renda e dados de emprego podem ampliar a visão sobre o cliente e contribuir para análises de crédito mais precisas. Com consentimento, o Open Finance permite acessar informações reais sobre renda, pagamentos e comportamento financeiro.
O efeito pode ser significativo: durante o painel, Nadal exemplificou que um cliente que aparentava receber R$1,5 mil poderia, a partir de dados mais completos, apresentar renda de R$ 5 mil.
Para além do crédito, esses dados também podem apoiar onboarding, cobrança e outras jornadas. Na cobrança, por exemplo, as informações e recursos disponíveis em outras instituições podem, quando autorizados e conforme as regras aplicáveis, apoiar novas jornadas de pagamento e recuperação de crédito.
O movimento aponta para uma evolução do Open Finance, partindo de infraestrutura de compartilhamento de dados para uma ferramenta capaz de alimentar diferentes etapas da relação com o cliente.
7. Na era dos agentes, a confiança é vantagem competitiva
À medida que a IA passa de assistente a agente capaz de propor, decidir ou executar determinadas ações em nome do cliente, dentro de limites definidos, surge para o setor financeiro o desafio de garantir que essas decisões possam ser governadas, explicadas e auditadas.
Esse foi o ponto central do painel da FICO na Partner Arena by Dock, sobre comércio agêntico. A discussão mostrou que, em uma realidade na qual a velocidade de processamento já não é diferencial, a confiança assume o papel de ativo competitivo.

Armando Junior (Dock) e Celina Koshimizu (FICO) conduziram painel sobre Comêrcio Agêntico na Partner Arena by Dock
Isso exige novas camadas de controle, incluindo discussões sobre conceitos como Know Your Agent (KYA), que envolve entender quem é o agente, o que ele pode fazer e como suas decisões são supervisionadas.
Na economia agêntica, não basta ter agentes mais inteligentes. As instituições que conseguirem torná-los confiáveis, rastreáveis e governáveis estarão mais preparadas para escalar essa nova relação com o cliente.
Dock no Febraban Tech 2026: tecnologia que conecta, ideias que transformam
Estar no Febraban Tech 2026 é sempre uma oportunidade de acompanhar de perto as mudanças que estão dando forma à próxima geração do setor financeiro. Em um cenário marcado pela evolução da inteligência artificial e pela chegada dos agentes inteligentes, estar presente significa também participar ativamente das conversas que definem o futuro da indústria.
Ao longo do evento, o estande da Dock foi ponto de encontro para clientes, parceiros e profissionais do mercado. Foram dias de casa cheia, trocas, novas perspectivas e conversas sobre como a tecnologia pode simplificar jornadas, criar novas possibilidades e gerar valor de forma cada vez mais inteligente.

Agradecemos a todos que estiveram com a gente nessa edição e ajudaram a tornar essa experiência ainda mais especial. Seguimos conectando tecnologia, pessoas e inovação para transformar o ecossistema financeiro e construir, juntos, as soluções que vão definir os próximos capítulos dessa transformação.
Febraban Tech 2026: o que você viu neste artigo
- A IA está transformando o setor financeiro, deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para participar de processos, decisões e experiências de forma cada vez mais autônoma.
- A velocidade de adoção precisa vir acompanhada de governança e cibersegurança, garantindo que a inovação aconteça com controle e segurança.
- A fraude também está evoluindo, com maior atenção às contas PJ e à análise do comportamento financeiro, indo além da simples identificação do titular.
- Tokenização, Drex e Open Finance mostram uma evolução da infraestrutura financeira, ampliando as possibilidades para crédito, pagamentos e novos produtos.
- O uso de dados reais permite conhecer melhor o cliente e tornar decisões de crédito mais precisas, além de melhorar outras jornadas financeiras.
- O avanço dos agentes inteligentes amplia a capacidade de a IA participar de decisões e executar ações em nome dos clientes, trazendo novos desafios de governança e confiança.
- Nesse novo contexto, a confiança é um diferencial competitivo, com a necessidade de agentes rastreáveis, governáveis e supervisionados.
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