Meios de pagamento em 2020: o que impactou e como evoluiu este mercado?

Publicado em 20 de dezembro de 2020.

Tempo de leitura 8 minutos de leitura

Apesar de todos os desafios impostos pelo cenário de pandemia — e também por causa deles, os meios de pagamento em 2020 tiveram marcos que vão ajudar a transformar o setor e a mover a sociedade nos próximos anos.

Algumas evoluções foram aceleradas pela crise, outras já estavam previstas e tiveram seu lançamento nos últimos meses. Não podemos deixar de ressaltar, ainda, que certos riscos para emissores e usuários se fizeram (ainda mais) presentes.

Quer saber quais foram esses fatores que fizeram de 2020 um ano importante para a história dos meios de pagamento no Brasil? Neste artigo fizemos uma curadoria sobre o tema. Confira!

7 destaques do mercado de meios de pagamento em 2020

Entre tantas movimentações e evoluções neste setor, escolhemos sete que merecem destaque pelo impacto na sociedade. Veja quais são elas!

1. Alteração no comportamento de consumo

Em função da pandemia, os consumidores rapidamente precisaram se adaptar a um novo estilo de vida, por razões como medidas de isolamento social, queda de renda e preocupação com a saúde.

Um estudo realizado pela consultoria EY Parthenon e divulgado no final de setembro apresentou uma série de dados que precisam ser considerados por empresas de setores como varejo e financeiro no desenvolvimento de suas estratégias e soluções:

  • 62% dos entrevistados tiveram perda de rendimento durante o período de pandemia
  • 52% reduziram a frequência de suas compras
  • 69% passaram a cozinhar mais refeições em casa
  • 62% visitaram menos lojas físicas
  • 60% decidiram gastar menos com itens não essenciais
  • 39% aumentaram o volume de itens diversos comprados pela internet
  • 33% passaram a comprar de outras marcas para apoiar negócios locais
  • 87% relataram que continuarão tendo a higiene pessoal e de casa como uma de prioridades de consumo

Com os usuários realizando um menor volume de transações, priorizando as compras essenciais ou relacionadas à higiene e à proteção contra a Covid-19 e buscando soluções que sejam mais simples e com menores taxas, os meios de pagamento serão também afetados por esse novo comportamento de consumo.

2. Aceleração do e-commerce

Se a pandemia contribuiu para que mais consumidores passassem a comprar online e para que os já habituados a esta modalidade ampliassem o número de itens adquiridos pela internet, podemos ver um impacto significativo nos números do comércio eletrônico.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), entre abril e setembro , 11,5 milhões de pessoas fizeram sua primeira compra online. O estudo também mostra que entre janeiro e agosto de 2020, o número de transações no comércio online cresceu 80% e o faturamento foi 75,5% maior em relação ao mesmo período de 2019, saindo de R$ 44 bilhões para R$ 77,2 bilhões em oito meses.

Para os meios de pagamento, esse crescimento do e-commerce impacta, principalmente, o volume de transações realizadas com os cartões de crédito e cartões pré-pagos.

3. Auxílio emergencial e inclusão financeira

Outro importante acontecimento para o setor em 2020 foi a liberação do auxílio emergencial e, em consequência disso, a bancarização de pelo menos 23 milhões de pessoas, segundo estimativas da Caixa Econômica Federal (CEF). De acordo com a instituição, o cálculo é de que 40% dos brasileiros que receberam o auxílio não tinham nenhuma conta em banco antes da pandemia.

Apesar de ser uma evolução motivada por uma situação negativa, essa inclusão pode ter impactos positivos se os novos bancarizados continuarem tendo acesso a mais e melhores soluções financeiras, especialmente se forem de baixo custo e fácil utilização – independentemente de onde estejam e de quais dispositivos utilizem para acessar suas contas.

Cabe lembrar, ainda, que a inclusão financeira segue sendo um importante desafio para o Brasil: o cruzamento do número de bancarizados (175,4 milhões de pessoas, segundo o Bacen) com as estatísticas da população brasileira, mostra que cerca de 36 milhões de brasileiros ainda estão de fora do sistema financeiro e permanecem desbancarizados.

4. Maior adesão a meios de pagamento digitais

Ainda em razão das recomendações de distanciamento social, vimos a aceleração do uso de (nem tão) novas tecnologias em meios de pagamento – como pagamento por aproximação, QR Code, links, entre outros.

Neste sentido, um dos maiores destaques tem sido a adesão ao contactless, que já vinha crescendo em utilização mesmo antes da pandemia – no primeiro trimestre de 2020, as transações com pagamento por aproximação saltaram 456%, movimentando R$ 3,9 bilhões, conforme a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Porém, nos últimos meses e nos que virão a seguir, devemos ter um salto no uso do QR Code em função do lançamento do Pix, em novembro de 2020. Justamente por essa ser uma das opções para realização de transações financeiras de forma instantânea e aquela mais adequada para pagamentos no varejo físico ou eletrônico.

5. Lançamento do Pix

Já que falamos no Pix, esse é o grande marco do mercado dos meios de pagamento em 2020, sem dúvidas.

O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central já tinha lançamento previsto para este ano e seguiu o planejamento, apesar dos desafios da pandemia. O início foi em 16 de novembro e até 15 de dezembro, o Pix já movimentou R$ 83,4 bilhões, correspondendo a mais de 30% de todas as transferências interbancárias no Brasil, segundo o Bacen.

Esse é um passo importante para a democratização dos meios de pagamento, por meio de um sistema mais rápido, com maior disponibilidade e, principalmente, menores custos. E, nos próximos meses, devemos ainda ver movimentações importantes no setor financeiro para incentivar a adesão de novos usuários.

6. Aumento no volume de tentativa de fraudes

Se o ano foi marcado pelo aumento no uso de meios de pagamento digitais e pelo lançamento do Pix, tivemos, como era esperado, novos desafios para prevenção a fraudes.

Alguns dados que ilustram esse cenário são o levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que mostrou o crescimento de tentativas de fraudes financeiras durante a pandemia, com aumento de 80% nas tentativas de ataques de phishing; e, em relação ao Pix, em um mês de operação, foram registrados mais de 500 domínios falsos em QR Codes fraudulentos, segundo estudo da Kaspersky.

Mas não é apenas nos meios eletrônicos que o risco está presente para os usuários. O golpe do falso motoboy, em que é oferecido o serviço para recolher o cartão na casa da pessoa, teve aumento de 65% durante o período de isolamento social.

Diante disso, é essencial que não apenas os usuários busquem informação e se protejam, mas que também os emissores contem com as melhores soluções antifraude e de comunicação com os portadores de seus serviços.

7. Evolução do projeto de Open Banking

Nosso último destaque é para os avanços no projeto de Open Banking no Brasil, apesar de sua implementação ter sido adiada de novembro de 2020 para fevereiro de 2021.

Mesmo com a data de início postergada, o mercado se movimentou neste ano para se preparar para as oportunidades do sistema financeiro aberto, que deve dar mais poder ao consumidor e acelerar a competitividade do setor, inclusive no desenvolvimento de novas soluções.

Em 2021, estaremos preparados para evoluir ainda mais com o mercado de meios de pagamento

Tivemos muitos desafios a superar em 2020 no mercado de meios de pagamento. Mas, também, muitas oportunidades de levar as mais variadas e avançadas alternativas aos brasileiros. Avançamos em uso de tecnologia, em inclusão financeira, em competitividade do setor financeiro e em outras frentes.

Agora, em 2021, estaremos preparados para prover ainda melhores soluções em processamento, adquirência, prevenção a fraudes e banking as a service para continuar ajudando a mover a sociedade.

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