Crédito na Colômbia: novos caminhos e oportunidades de um mercado em transformação
O mercado de crédito na Colômbia passa por um momento de transformação. Depois de um período marcado por condições financeiras mais restritivas e contração em algumas modalidades, o setor voltou a apresentar sinais de recuperação, ao mesmo tempo em que novas tecnologias, modelos de negócio e iniciativas regulatórias redesenham a relação entre instituições financeiras e consumidores.
Segundo a Superintendencia Financiera de Colombia (SFC), em 2025, a carteira de crédito alcançou 763 trilhões de pesos colombianos, com crescimento real em todas as modalidades.
Ao mesmo tempo, houve uma melhora na qualidade dessa carteira: os créditos em atraso (carteira vencida) caíram 16,4% em termos reais no ano, enquanto o índice de cobertura chegou a 142%. Ou seja, para cada 100 pesos em créditos vencidos, havia aproximadamente 142 pesos em provisões para absorver possíveis perdas.
Ainda assim, a recuperação do mercado não elimina desafios importantes. Persistem desigualdades no acesso ao crédito, riscos relacionados ao endividamento e a necessidade de equilibrar inclusão, rentabilidade e segurança. Ao mesmo tempo, a digitalização financeira e o avanço de novas tecnologias ampliam as possibilidades de atender diferentes perfis de consumidores e criar novos modelos de negócio.
É nesse contexto que surgem novos caminhos e oportunidades para instituições, fintechs e empresas de produtos e serviços financeiros. Neste artigo, exploramos as principais tendências que estão transformando o crédito na Colômbia e as oportunidades para quem busca crescer e inovar nesse mercado.
Um mercado que começa a virar a chave
Os dados mais recentes mostram um setor que avança, mas que ainda tem um caminho importante pela frente.. Em 2025, o país ampliou o número de adultos com acesso a crédito e financiamento formal, enquanto a recuperação da carteira e a evolução da inclusão financeira reforçaram o potencial de crescimento do setor.
Como mostra o RIF – Reporte de Inclusión Financiera 2025, divulgado em agosto de 2026, 20,3 milhões de adultos colombianos tiveram acesso a pelo menos um produto de crédito ou financiamento formal em 2025. O número corresponde a 51,6% da população adulta.
Considerando apenas instituições financeiras e microfinanceiras, o acesso chegou a 36,1% dos adultos, um avanço de 1 ponto percentual em relação a 2024.
Os números mostram, portanto, um mercado relevante e em recuperação, mas também revelam um espaço considerável para ampliar o acesso ao crédito e atender públicos que ainda permanecem à margem do sistema financeiro.
A demanda por crédito na Colômbia existe (mas o acesso não chega a todos)
O Reporte de Inclusión Financiera 2025 também mostra que esse avanço não ocorre de forma homogênea no país.
Em 2025, 38,4% dos homens tinham acesso ao crédito formal, contra 34,7% das mulheres. A diferença também aparece de forma marcante no território: nas cidades e aglomerações, a penetração chegou a 45,7%, enquanto nas áreas rurais dispersas ficou em apenas 12%.
A conclusão é que ampliar a inclusão financeira não significa apenas colocar mais pessoas dentro do sistema. É preciso oferecer produtos adequados a diferentes realidades.
Consumidores com pouco histórico financeiro, trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, por exemplo, podem representar uma demanda relevante ainda pouco atendida pelos modelos tradicionais. É aí que tecnologia e dados começam a mudar o jogo.
Quando os dados entram em campo
A análise de crédito tradicional depende de informações como histórico financeiro, renda comprovada e relacionamento com instituições. Esses elementos continuam importantes, mas nem sempre contam toda a história de um consumidor ou negócio.
O avanço do open finance na Colômbia pode ajudar a preencher essas lacunas.
Em 2026, o país avançou na implementação de um modelo de finanças abertas obrigatórias, com novas regras para o compartilhamento de informações e a definição de requisitos técnicos, legais e de segurança para os participantes do sistema..
Para o crédito, isso pode representar uma mudança importante. Afinal, com o consentimento do consumidor, diferentes informações financeiras podem ajudar instituições e empresas a compreender melhor sua realidade, avaliar riscos com mais precisão e desenvolver ofertas mais adequadas.
Em vez de depender apenas de um retrato estático do cliente, o mercado de crédito passa a ter condições de construir uma visão mais completa de seu comportamento financeiro.
O crédito vai onde o consumidor já está
A transformação do crédito também passa pelos canais em que os consumidores realizam suas atividades financeiras.
Em 2025, a Colômbia registrou 22,39 bilhões de operações financeiras, das quais 12,73 bilhões foram operações monetárias, ou seja, aquelas que envolvem movimentação efetiva de recursos. Dessas transações monetárias, cerca de sete em cada dez foram realizadas por canais digitais.
Esse comportamento ajuda a explicar por que as soluções de crédito tendem a se integrar cada vez mais às experiências digitais.
Dessa forma, a contratação pode acontecer dentro de um aplicativo, durante uma compra ou em uma plataforma que o consumidor já utiliza. É a lógica do embedded finance: serviços financeiros deixam de ser necessariamente o destino e passam a fazer parte da jornada.
Para o consumidor, isso significa menos etapas. Para as empresas, significa novas possibilidades de relacionamento e monetização.
Bre-B acelera uma nova infraestrutura
A modernização dos pagamentos é outra peça importante desse quebra-cabeça.
O Bre-B, sistema de pagamentos imediatos do Banco de la República, avançou rapidamente desde o início de sua operação plena. Em abril de 2026, já havia mais de 34 milhões de usuários registrados, mais de 105 milhões de chaves e aproximadamente 5 milhões de transações diárias.
A relevância do sistema vai além da velocidade das transferências. Uma infraestrutura de pagamentos instantâneos pode ampliar as possibilidades de integração entre pagamentos, recebimentos e serviços financeiros, criando jornadas mais simples e conectadas.
Para o crédito, isso abre espaço para experiências em que contratação, desembolso e pagamento estejam cada vez mais próximos.
Microcrédito ainda tem terreno para avançar
O crescimento do mercado de crédito não depende apenas de alcançar novos clientes, mas também de oferecer produtos compatíveis com diferentes necessidades financeiras.
O microcrédito se encaixa justamente nessa lógica, com operações voltadas principalmente a pequenos negócios e empreendedores que precisam de recursos para atividades como capital de giro, compra de insumos ou expansão da operação.
Na Colômbia, a modalidade ainda representa uma parcela relativamente pequena do mercado. Em 2025, 5,6% dos adultos tinham acesso ao microcrédito, segundo o RIF.
Essa realidade cria terreno para ampliar a oferta e, principalmente, repensar como esses produtos são desenhados. Alguns elementos fazem diferença nesse processo:
- Valores mais adequados: operações dimensionadas de acordo com a necessidade e a capacidade financeira de pequenos negócios;
- Mais flexibilidade: prazos e frequências de pagamento que acompanhem a dinâmica de receitas de cada atividade;
- Análise mais ampla: modelos que considerem diferentes fontes de dados para avaliar o perfil e o comportamento financeiro do cliente;
- Jornadas mais simples: processos digitais que reduzam etapas e facilitem a contratação e o acompanhamento do crédito.
A tecnologia pode contribuir para viabilizar essas possibilidades, combinando dados, automação e novos modelos de análise.
Crescer sem perder o controle
A recuperação do crédito também reforça a importância da gestão de risco.
A redução de 16,4% dos créditos vencidos em termos reais e a cobertura de 142% registrada em 2025 mostram uma melhora importante na qualidade da carteira. Mas o crescimento sustentável exige equilíbrio.
Instituições e empresas precisam ampliar o acesso sem comprometer a qualidade da carteira. Nesse processo, automação, dados alternativos e modelos de decisão podem ajudar a tornar a análise mais precisa e a operação mais eficiente.
A pergunta deixa de ser apenas como conceder mais crédito e passa a ser como conceder crédito inteligente, para mais pessoas e de forma sustentável.
Quando o crédito vira parte da experiência
Mais do que um novo canal de distribuição, o embedded finance permite que empresas não financeiras incorporem serviços financeiros às próprias jornadas de seus clientes – de pagamentos e seguros a soluções de crédito.
A estrutura, porém, precisa respeitar as regras aplicáveis a cada atividade, especialmente quando envolve serviços financeiros regulados.
Em modelos que dependem de instituições financeiras, APIs, tratamento de dados ou compartilhamento de informações, segurança, transparência, proteção de dados e definição clara dos papéis de cada participante tornam-se elementos centrais da operação.
Quando a solução financeira aparece exatamente no contexto em que a necessidade surge, a experiência tende a ser mais simples e relevante.
Para o consumidor, isso pode significar menos etapas e ofertas mais aderentes ao seu perfil. Para as empresas, o embedded finance pode representar novas fontes de receita, maior conversão e recorrência e, ao mesmo tempo, um relacionamento mais profundo com seus clientes.
A Dock como parceira para transformar oportunidades em produtos
Como vimos, o avanço do crédito, dos pagamentos instantâneos e das finanças abertas cria novas oportunidades para empresas que querem inovar na Colômbia. Para transformar esse potencial em produtos, porém, é preciso contar com uma infraestrutura financeira capaz de sustentar a operação de ponta a ponta.
É nesse espaço que a Dock atua. Com uma infraestrutura financeira modular, a empresa oferece componentes para que negócios possam criar, lançar e escalar produtos financeiros de forma mais ágil, conectando diferentes componentes da jornada.
Em um mercado que combina expensão do crédito, digitalização acelerada e novas infraestruturas financeiras, contar com um parceiro especializado pode reduzir a complexidade da operação e acelerar o caminho entre uma oportunidade e um novo produto.
A evolução do crédito na Colômbia abre espaço para uma nova geração de serviços financeiros, e a Dock está preparada para ajudar empresas a transformar esse potencial em soluções concretas e escaláveis.
FAQ – Perguntas frequentes sobre Crédito na Colômbia
Como está o mercado de crédito na Colômbia?
O mercado está em recuperação. Em 2025, a carteira de crédito chegou a 763 trilhões de pesos colombianos, com expansão real em em todas as modalidades e melhora na qualidade da carteira.
Quem ainda enfrenta barreiras para acessar crédito na Colômbia?
O acesso ainda é desigual entre diferentes públicos e regiões. Mulheres, moradores de áreas rurais, trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores estão entre os públicos que ainda podem se beneficiar de maior acesso a produtos financeiros adequados.
Como o open finance pode transformar o mercado de crédito?
O compartilhamento de dados, com o consentimento do consumidor, pode ajudar instituições a entender melhor o perfil financeiro dos clientes. Isso permite análises de risco mais precisas e ofertas de crédito mais adequadas.
Qual é o papel da digitalização no crédito?
Os consumidores estão cada vez mais realizando suas atividades financeiras por canais digitais. Isso abre espaço para que o crédito seja integrado a aplicativos, plataformas e momentos de consumo, tornando a jornada mais simples.
O que é embedded finance?
É a integração de serviços financeiros, como crédito e pagamentos, diretamente a produtos e plataformas de empresas não financeiras. Para as empresas, o modelo pode gerar novas receitas e fortalecer o relacionamento com seus clientes.
Como crescer no crédito sem aumentar os riscos?
O desafio é combinar expansão com qualidade da carteira. Dados, automação e modelos de análise mais completos podem ajudar empresas a tomar decisões de crédito mais eficientes e sustentáveis.
Quais oportunidades o cenário colombiano oferece para empresas?
A combinação de recuperação do crédito, digitalização, open finance, Bre-B e embedded finance cria oportunidades para desenvolver novos produtos e experiências financeiras.
Crédito na Colômbia: o que você viu neste artigo
- O mercado de crédito colombiano está em recuperação, em 2025, a carteira de crédito chegou a 763 trilhões de pesos, com crescimento real em todas as modalidades.
- Ainda existe espaço para ampliar a inclusão financeira, uma vez que 51,6% dos adultos colombianos tiveram acesso a pelo menos um produto de crédito ou financiamento formal em 2025.
- Dados podem transformar a análise de crédito, o avanço das finanças abertas cria novas possibilidades para avaliar o perfil financeiro dos consumidores com mais precisão.
- O crédito está cada vez mais digital: cerca de sete em cada dez operações monetárias em 2025 foram realizadas por canais digitais.
- O Bre-B cria novas possibilidades para a jornada financeira. A infraestrutura de pagamentos instantâneos pode aproximar pagamentos, recebimentos e serviços financeiros.
- O embedded finance abre novos caminhos para as empresas. Crédito, pagamentos e outros serviços financeiros podem ser incorporados diretamente às jornadas digitais dos consumidores.
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