Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 destaca cibersegurança, cloud e inteligência artificial como prioridades estratégicas
A evolução tecnológica e as mudanças nas expectativas dos consumidores continuam transformando a indústria financeira brasileira. Em sua 34ª edição, a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 reúne indicadores sobre investimentos em tecnologia, volumetria dos processos bancários, transações e comportamento dos usuários, oferecendo uma visão consolidada dos principais movimentos do setor.
O levantamento destaca o avanço da Inteligência Artificial (IA) e da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) nos negócios e operações bancárias, ao mesmo tempo em que mostra que essas tecnologias ainda estão em diferentes estágios de maturidade entre as instituições. Ao mesmo tempo, temas como cibersegurança e cloud também se consolidam como prioridades estratégicas para as instituições financeiras.
Neste artigo, apresentamos os principais insights da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, mostrando como bancos, fintechs e demais empresas do setor estão avançando na adoção de novas tecnologias e, principalmente, na transformação dessas soluções em valor para clientes, colaboradores e negócios.
Principais insights da pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026
O primeiro volume da pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 traz dados importantes sobre o orçamento em tecnologia ao mesmo tempo que mostra que a evolução tecnológica caminha lado a lado com mudanças profundas no comportamento dos clientes, cada vez mais concentrados nos canais digitais e, principalmente, no mobile banking.
Tecnologia ganha protagonismo na expansão e na competitividade dos bancos
O orçamento de tecnologia da indústria bancária deve alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026, acumulando crescimento de 58% em cinco anos.
O avanço reforça o papel estratégico da tecnologia no setor financeiro, contribuindo para eficiência, inovação, segurança, resiliência e adaptação às novas demandas do mercado.
Entre as principais prioridades da agenda tecnológica estão cibersegurança, cloud, Inteligência Artificial e Inteligência Artificial Generativa. IA e GenAI ganham destaque especialmente pelas oportunidades de geração de valor, com aplicações que já avançam em áreas como backoffice, desenvolvimento de software e prevenção a fraudes.
Já as iniciativas de IA voltadas diretamente ao atendimento e à experiência do cliente ainda estão em estágio inicial, indicando um espaço relevante para evolução.
Experiência do cliente e segurança se destacam como pilares da competição bancária
A experiência do cliente e a segurança e privacidade aparecem empatadas como os principais vetores de diferenciação competitiva, apontados por 80% das instituições.
O resultado evidencia uma mudança importante na estratégia do setor: oferecer serviços financeiros competitivos não depende apenas de novas funcionalidades, mas da capacidade de proporcionar experiências convenientes, personalizadas e seguras ao longo de toda a jornada.
Nesse cenário, tecnologia bancária, dados e inteligência artificial passam a atuar de maneira integrada para ampliar a capacidade dos bancos de compreender as necessidades dos clientes e oferecer soluções mais adequadas a diferentes momentos de sua vida financeira.
Investimentos em pessoas acompanham o avanço da IA no setor bancário
A transformação tecnológica também exige novas competências. Para acompanhar a evolução de IA e GenAI, os bancos vêm ampliando investimentos em capacitação e na formação de equipes especializadas.
Estão previstos R$ 29,4 milhões em treinamento e capacitação de profissionais em IA e GenAI, valor que representa crescimento de 31% em relação ao orçamento anterior.
Além da capacitação, as instituições ampliam equipes ligadas a áreas como dados, governança, infraestrutura e cibersegurança. O movimento reforça que a evolução tecnológica depende não apenas da adoção de ferramentas, mas também da preparação dos profissionais para utilizá-las de maneira estratégica e responsável.
Canais móveis dominam as transações de clientes e ganham espaço no segmento empresarial
O comportamento dos usuários reforça a centralidade dos canais digitais no relacionamento com os bancos.
Em 2025, foram realizadas 240,8 bilhões de transações bancárias, sendo 83% em canais digitais e 78% por meio do mobile banking.
Entre as pessoas físicas, o celular já concentra 92% das transações realizadas no mobile banking. O canal também avança entre clientes empresariais: 63% das transações de pessoas jurídicas já são realizadas via celular.
O fato é que o mobile banking não é mais apenas um canal complementar. A ferramenta se consolidou como um dos principais ambientes para a realização de operações financeiras e para o relacionamento entre instituições e clientes, inclusive no segmento corporativo.
Uso recorrente dos canais digitais transforma a relação dos clientes com os bancos
A digitalização financeira das jornadas também está mudando a frequência de utilização dos canais.
Atualmente, 76% dos clientes são considerados heavy users dos canais digitais, ou seja, realizam mais de 80% de suas transações financeiras e não financeiras nesses canais. O indicador mostra que a expansão do digital não ocorre somente pelo aumento da quantidade de usuários, mas também pela maior intensidade de utilização dos canais.
Enquanto isso, o internet banking apresenta redução de 5% no número de clientes, enquanto a média mensal de logins dos heavy users do canal aumentou.
É evidente a migração gradual das interações financeiras para o ambiente móvel, acompanhando a preferência dos consumidores por experiências mais convenientes e acessíveis.
Pix se torna cada vez mais presente e abre novas frentes para os bancos
O Pix segue ampliando sua presença na rotina financeira dos brasileiros. Segundo a pesquisa, o número médio mensal de heavy users do Pix chegou a 73,7 milhões em 2025, alta de 70% em relação ao ano anterior, demonstrando a utilização recorrente do sistema de pagamentos instantâneos.
A consolidação do Pix entre os meios de pagamento e a incorporação contínua de novas funcionalidades ampliam seu potencial para concentrar diferentes jornadas financeiras.
Para as instituições, esse cenário cria oportunidades que vão além da simples realização de pagamentos, envolvendo relacionamento, monetização, oferta de novos serviços e diferenciação.
Open Finance evolui do compartilhamento de dados para experiências mais personalizadas
O Open Finance avança no Brasil tanto em número de participantes quanto em consentimentos ativos. Com o amadurecimento do ecossistema, o foco passa a estar cada vez mais na capacidade de transformar os dados compartilhados em experiências mais contextualizadas, integradas e relevantes para os clientes.
Um dos exemplos desse movimento é a expansão das funcionalidades de gestão e agregação financeira: em 2025, o número de usuários avançou 31%, chegando a 2,15 milhões de clientes.
Ao reunir informações de diferentes instituições em uma única experiência, os agregadores podem tornar os benefícios do Open Finance mais tangíveis para o consumidor e ampliar a visão integrada de sua vida financeira.
Bancassurance se integra cada vez mais às experiências financeiras digitais
O bancassurance também avança na integração com a jornada financeira dos clientes.
O crescimento das cotações e o uso mais estratégico de dados e personalização indicam que os seguros estão sendo incorporados de forma cada vez mais relevante às experiências digitais oferecidas pelos bancos.
Essa integração reforça o papel do bancassurance como instrumento para ampliar o engajamento, personalizar ofertas e aprofundar o relacionamento entre instituições financeiras e clientes.
Segundo volume da pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 detalha investimentos
Após a primeira etapa divulgada em junho, os dados do segundo volume da Pesquisa foram apresentados no Febraban Tech 2026.
Essa nova etapa da pesquisa aprofunda os números já conhecidos, detalhando como os bancos pretendem distribuir o orçamento de tecnologia entre IA, dados, cloud e segurança, além de trazer um raio-x mais completo da maturidade do setor em cibersegurança.
IA, Dados e Cloud ganham fatias específicas do orçamento
Dentro do orçamento total de R$ 50,4 bilhões, os bancos já detalham para onde o dinheiro está indo: cerca de R$ 3 bilhões serão aplicados em Inteligência Artificial, Analytics e Big Data (avanço de 8% sobre 2025), enquanto a migração para cloud deve receber R$ 3,9 bilhões, alta de 30%.
O principal benefício percebido com a IA é o ganho de velocidade em tarefas rotineiras, citado por 92% das instituições. Dentro desse aspecto, 52% destacam benefícios como redução do tempo de resposta aos clientes, redução de custos e maior eficiência na análise de dados, e 48% destacam ganhos na detecção e prevenção de fraudes.
Os dados mostram ainda que 84% das instituições utilizam IA e GenAI em suas infraestruturas de TI, enquanto 70% já possuem ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional.
Cibersegurança se firma como pilar estratégico, com integração operacional
A cibersegurança já chegou à alta governança: 58% das instituições já contam com pelo menos um especialista em cibersegurança no conselho de administração.
Na prática, 88% das instituições têm integração consolidada entre cibersegurança, prevenção a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro, atuando em conjunto na resposta a incidentes (40%) e no compartilhamento direto de informações entre equipes (36%).
Do lado do cliente, as prioridades são autenticação multifator (88%), monitoramento preditivo de transações (76%), biometria comportamental (60%) e uso de IA/ML na detecção de fraudes (56%).
E o setor começa a se preparar para os impactos da computação quântica: 71% dos bancos consideram a tecnologia de alta relevância no curto ou médio prazo, especialmente em temas relacionados à criptografia e à segurança pós-quântica.
O que a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 revela sobre o futuro do setor
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostra um setor bancário em uma nova fase de transformação, na qual tecnologia, dados, segurança e pessoas passam a atuar de forma cada vez mais integrada. Antes restrita à adoção de tecnologias, a discussão agora alcança a capacidade das instituições de converter inovação em valor concreto para clientes, colaboradores e negócios.
Com investimentos crescentes, avanço do mobile banking, expansão do Pix e amadurecimento do Open Finance, os bancos passam a operar em um ambiente cada vez mais digital e conectado.
Ao mesmo tempo, IA e GenAI ganham espaço como tecnologias capazes de transformar processos, produtos e experiências. Para capturar esse potencial, porém, as instituições precisam combinar infraestrutura, dados, segurança, governança e talentos preparados.
O cenário apontado pela 34ª edição da pesquisa indica, portanto, que a competitividade do setor financeiro estará cada vez mais relacionada à capacidade de inovar com segurança, personalizar experiências e transformar tecnologia em resultados sustentáveis.
Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026: o que você viu neste artigo
- Os investimentos em tecnologia seguem crescendo e devem alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026, acumulando alta de 58% em cinco anos.
- Cibersegurança, cloud, IA e GenAI estão entre as principais prioridades estratégicas dos bancos.
- Experiência do cliente e segurança são apontadas por 80% das instituições como os principais vetores de diferenciação competitiva.
- Os bancos ampliam investimentos em capacitação em IA e GenAI, com R$ 29,4 milhões previstos para disseminação desses conhecimentos.
- O mobile banking se consolidou como principal canal de transações, concentrando 78% das 240,8 bilhões de transações realizadas em 2025, enquanto os canais digitais, somados, responderam por 83%.
- 76% dos clientes são considerados heavy users dos canais digitais, realizando mais de 80% de suas transações financeiras e não financeiras nesses ambientes.
- O Open Finance avança na transformação dos dados compartilhados em novas experiências, enquanto as funcionalidades de gestão e agregação financeira chegaram a 2,15 milhões de usuários em 2025, alta de 31%.
- O bancassurance se integra cada vez mais às jornadas digitais, usando dados e personalização para ampliar o relacionamento com os clientes.
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